Vida de gado. Por Misael Nóbrega



O boi que foi criado para o corte é sacrificado muito cedo; e seus últimos momentos são ainda piores nos abatedouros. Tangidos pelo corredor a choques, socos e pauladas encontram, no derradeiro instante, a pistola pneumática… – num “abate humanitário”. Há quem diga que a morte do boi impressiona por ser um misto de pavor, sangue, destreza e indiferença.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em cerca de 70 abatedouros públicos e privados do Estado – constatou graves irregularidades que violam a dignidade humana e colocam em risco a saúde da população e dos trabalhadores desses locais.

“A maioria dos matadouros atua sem o mínimo de higiene; não há controle sobre doenças; animais são mortos de forma inadequada; 80% dos funcionários não usam equipamentos de proteção individual (EPIs); acidentes de trabalho são comuns; há tarefa degradante e análoga à escrava e em 34,9% dos abatedouros havia exploração infantil”.

Aqui em Patos, a situação não é diferente. Um vídeo que foi recentemente divulgado nas redes sociais expôe as dificuldades enfrentadas pelo Matadouro Público Municipal, que existe desde 1962. As imagens mostram um local completamente insalubre, facilitando a contaminação e proliferação de doenças.

O prefeito interino Ivanes Lacerda (MDB), que após as denúncias inspecionou o matadouro, disse que a solução é uma Parceria Público Privada (PPP) e que será aberto um edital para que se possa recuperar o logradouro, completamente; por enquanto, foram autorizados paliativos. Só não sei se dá mais para esperar, seu doutor. Com a palavra, os órgãos fiscalizadores.

ABATEDOURO

Daqueles olhos
esbugalhados,
espargiam sangue;
e, lavavam
o boi-morto,
mais que minhas
lágrimas de
sal.

(…)

No gancho,
baloiçava
a peça de carne;
pelo reflexo
da poça:
Ora homem
vez, por outra,
bicho.

*Misael Nóbrega de Sousa




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