Surto de Covid-19 na Perilima mostra que futebol não é tão controlado assim

Foto: Divulgação



Perilima está tentando nos bastidores adiar o jogo da 1ª fase da Copa do Brasil Sub-20 contra o Bahia, marcado para esta segunda-feira, no Estádio Amigão, às 15h. Motivo? Sete atletas da equipe testaram positivo, além do gerente de futebol, Ramon Smith, e do auxiliar técnico, Toni Souza. Este último está internado em um hospital de Campina Grande, num caso que inspira mais cuidados. Enfim, um surto de Covid-19.

A tendência é o jogo acontecer, apesar do esforço do presidente do clube, Jailton Oliveira, de o duelo ir para outra data. E ele sabe que não tem muito o que fazer. Ele e qualquer presidente de clube que apoia o prosseguimento dos campeonatos. Tendo condição de colocar um time titular em campo, com um ou outro reserva, tem jogo em qualquer competição CBF. Essa determinação é clara desde o retorno do futebol. E os cartolas só reclamam quando o susto e o surto vêm. 

Esse caso da Perilima só demonstra como o futebol não é esse espaço absolutamente controlado como muitos pintam. A Paraíba já perdeu Eduardo Araújo para esse vírus destrutivo de sonhos e amores. O futebol brasileiro perdeu os técnicos Ruy Scarpino e Marcelo Veiga. E, mais do que o futebol, seus familiares perderam seus afetos.

Mas é óbvio que o futebol é controlado, diria o leitor ou a leitora que detesta acompanhar o debate sobre as paralisações de atividades sociais e econômicas no país. Sim! O futebol é mais controlado, sobretudo se compararmos com o que estamos vendo na sociedade brasileira, que é mais profundo descontrole – em todos os aspectos, diga-se. Uma política de morte, de defesa da contaminação. E não de enfrentamento. É isso que temos para hoje e desde ontem. Sob esse paradigma, o futebol é controlado. Mas, ainda assim, está distante de ser algo à margem da vida fora dos gramados. 

O que mais vemos são agentes de futebol defendendo a continuação do rolar da bola, mas sem a consciência de fazer sua parte nos momentos fora do trabalho. É aqui na Paraíba, na periferia da bola. É também nos centros maiores. Foi Rafael Oliveira, numa folga sua, se reunindo com uma galera, ainda que de uma ou duas dezenas de pessoas. Foi Gabriel Barbosa, o Gabigol, atacante do Flamengo, se divertindo num cassino em São Paulo, em um espaço que reunia cerca de 300 pessoas. 

O problema não é o futebol, por óbvio. E é outro o debate sobre a questão de paralisar ou não o futebol profissional nesse momento. De fato, não é essa parada num segmento relativamente pequeno – em perspectiva com a sociedade em geral -, que vai definir a mudança de rumo do país no enfrentamento à pandemia. 

Embora eu concorde com Lisca, que diz estar apavorado –  e eu também estou – com a situação, pedindo para CBF evitar as disputas da Copa do Brasil e suas consequentes viagens, eu consigo compreender o desabafo do ex-Auto Esporte e Treze Júnior Mandacaru, praticamente suplicando ao Governador de Sergipe para que ele não faça um decreto que pudesse parar o Campeonato Sergipano, o que poderia trazer graves problemas para trabalhadores que já ganham muito pouco sendo empregados de times bem pequenos do país.  

O problema estão nas pessoas, na cultura de relativização do grave momento do planeta, que parece ainda pior quando há um governo central omisso num problema pesado de saúde pública. E isso está muito claramente enraizado no mundo do futebol. 

Aqui na Paraíba, com exceção de Treze e Botafogo-PB, que fazem testes toda semana, por conta de disputarem a Copa do Nordeste, que assume um protocolo de controle feito pela CBF, todos os outros times têm dificuldade de fazer um monitoramento rigoroso. Para o Campeonato Paraibano, por exemplo, ainda não se tem uma definição sobre as testagens. Mas nas aparências, muitos bradam que o futebol é controlado. O futebol não é. Só é mais do que o resto da morte e vida brasileira. O que não é lá muita coisa.


Por Pedro Alves

Blog Entre Linhas/Jornal da Paraíba