“Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão” Por Misael Nóbrega



Êita Paraíba ‘véia’ diferente. Agora viciou. Todo domingo ‘tá’ no Fantástico. Só falta pedir música. Eu até arriscaria originais do samba: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão, se gritar pega ladrão. Não, não fica um […]”

Será que estou cometendo alguma parcialidade com essa generalização? Pode até ser, mas a honestidade é via de regra, não exceção. E, principalmente, na política, onde o dinheiro “suado” dos impostos é para ser revertido em benefícios para quem mais precisa e não para acabar no bolso (ou na cueca) de políticos corruptos.

Neste dia 12 de janeiro foi veiculada uma reportagem no programa dominical da Rede Globo de televisão, onde vimos assessores recebendo vantagens ilícitas, em nome do deputado Wilson Santiago (PTB), investigado na Operação és de Barro, pela Polícia Federal.

A “propina” seria decorrente do superfaturamento da “adutora Capivara”, em Uiraúna-PB, cujo prefeito, João Bosco Fernandes, que está preso e licenciado do cargo, também estaria envolvido. Em um trecho do vídeo, o delator diz de forma audível: “O dinheiro é destinado ao portador do deputado Federal Wilson Santiago”.

Dos R$ 24 milhões, previstos para a construção da obra, o governo federal repassou ao município de Uiraúna, sertão da Paraíba, algo em torno de R$ 17 milhões de reais. Destes, a Coenco – Construções, Empreendimentos e comercio LTDA, pagou mais de R$ 1 milhão de reais em “propina”, para vencer a licitação de forma fraudulenta.

A defesa de Wilson Santiago, que está afastado de suas funções legislativas pelo Congresso, diz que ele nunca recebeu dinheiro indevidamente e que o empreiteiro George Barbosa estaria fazendo essas acusações para se beneficiar da delação premiada.

Está previsto expressamente no artigo 5º da Constituição Federal, que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Convenhamos, a sociedade quer apenas que se faça justiça e que a lei puna os crimes de colarinho branco com a mesma destreza e rigor que o faz quando se trata de julgar os pobres e negros deste desarrazoado país. Enquanto isso, vamos ensaiando porque domingo que vem tem mais. E deixa a polícia trabalhar!

“[…] Você me chamou para esse pagode e me avisou aqui não tem pobre até me pediu pra pisar de mansinho porque sou da cor, eu sou escurinho… Aqui realmente está toda nata: doutores, senhores até magnata […] Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão, se gritar pega ladrão. Não, não fica um […]”.

*Misael Nóbrega de Sousa