Salve-se quem puder! Por Luiz Gonzaga Lima de Morais



Numa roda de amigos na última sexta-feira, 01/11, em Patos, discutíamos quem teria chances de se reeleger em Patos, dos atuais ocupantes da nossa Câmara de Vereadores. Ao final, chegamos à conclusão de que de entre oito e dez dos atuais vereadores tinham chance de se reeleger. Enquanto os demais têm chances duvidosas. Por fim um detalhe nos chamou a atenção. Entre aqueles considerados com menos chances de se eleger, cinco ou seis estavam entre os mais ferrenhos oposicionistas da bancada atual.

Mas que não se precipitem as conclusões de que eles teriam menos chances de se eleger justamente porque fazem uma oposição sistemática aos últimos gestores. Pelo contrário, eles fazem oposição sistemática, justamente porque já teriam percebido que as suas chances de reeleição são reduzidas. Fazer uma oposição barulhenta seria uma forma de chamar a atenção. Como resultado, ou teriam mais atenção do gestor de plantão, para serem atendidos nos seus interesses, principalmente, na forma dos tão disputados cargos comissionados ou contratados, ou apareceriam como atuantes parlamentares, de modo a atrair os cobiçados votos capazes de lhes garantir a reeleição.

Entre os que fazem oposição ferrenha, dois casos têm chamado a atenção. Um deles passou dois anos, praticamente calado, sem quase se manifestar e de uma hora para a outra apareceu fazendo denúncias atrás de denúncias, buscando se fazer notado. O outro passou doze anos, sendo beneficiado nas gestões anteriores, sem fazer quaisquer críticas aos administradores de então. E agora faz oposição ferrenha a todos os gestores que não lhe proporcionaram acesso a cargos e vantagens.

Por onde a gente anda em Patos só se ouvem críticas a grande parte dos atuais vereadores patoenses, citando-se uma série de fatos em que eles têm demonstrado mais preocupação com os próprios interesses do que os interesses da população, um dos casos mais gritantes é o da não aprovação de um novo código tributário, o que vai prejudicar a administração municipal e as faixas de menor poder aquisitivo da população.

Entre as manifestações de defesa dos próprios interesses  é citado o posicionamento de determinados vereadores na defesa intransigente de cargos comissionados ou exercidos sob contrato, cujos titulares eram indicados pelos vereadores, entre seus parentes e cabos eleitorais, e estariam sendo dispensados desde a administração de Bonifácio Rocha.

Fala-se também num famigerado “mensalinho” que Dinaldinho viria pagando e Bonifácio teria deixado de pagar, motivo da insatisfação generalizada de alguns vereadores. Com relação ao “mensalinho”, não haveria provas a apresentar, mas com relação aos comissionados e contratados basta examinar a Folha de Pagamento da Prefeitura, nos últimos anos. Se os responsáveis pelas indicações não podem ser em alguns casos identificados pelos nomes, em outros casos, são parentes próximos dos vereadores, tais como esposos, namorados, concubinas, filhos, irmãos, sogros, cunhados e por aí afora.

Sobra para a imprensa

Numa verdadeira praga nacional, no caso de críticas a determinados políticos, acaba “sobrando” para a imprensa. Outro dia, um vereador afirmava que o atual prefeito estaria pagando a determinadas pessoas para denegrirem os senhores vereadores, como se fosse possível denegrir mais a Câmara do que alguns dos próprios vereadores já têm feito, com as suas atitudes.

Já está próximo o momento para se avaliar o grande prejuízo que a cidade vai sofrer pela não aprovação do projeto de um novo Código Tributário do Município. A partir de janeiro de 2020, muita gente vai receber a cobrança de um IPTU muito mais alto do que pagou o ano passado ou do que pagaria se o Código tivesse sido aprovado.

Enquanto isso, a administração já está sofrendo prejuízo com a falta de interesse dos senhores vereadores na aprovação de projetos que tramitam na Câmara. Um projeto que autoriza a prefeitura a liberar um trecho de rua para a construção de um prédio que vai servir para a instalação de uma concessionária de veículos, dorme nas gavetas dos vereadores, que não têm nenhum interesse na aprovação do projeto. Enquanto isso, só nos meses de agosto e setembro a prefeitura deixou de arrecadar mais de trezentos mil reais de ICMS e outros impostos que a concessionaria estaria rendendo para os cofres da Prefeitura, impostos que estão sendo arrecadados pela Prefeitura de João Pessoa, onde fica a concessionária da mesma marca que está vendendo veículos para clientes de Patos e região.

Mais uma tentativa de golpe?

E para completar, nos últimos dias, está circulando nas redes sociais, uma ameaça que alguns vereadores estariam fazendo, de cassar o mandato do prefeito Dinaldinho para forçar uma eleição indireta para um novo prefeito. O que daria oportunidade à Câmara de eleger um prefeito mais sensível ao atendimento dos interesses dos senhores vereadores.

A manobra é “manjada”. Já vem desde a administração de Dinaldinho, passando pela administração de Bonifácio. Vereadores ameaçando cassar mandatos para ver se conseguem “amolecer” os prefeitos para que atendam as suas exigências de cargos e outras vantagens.

Será que o povo de Patos merece isto? O clima é de “salve-se, quem puder”. Vamos ver como o eleitor consciente vai reagir a isto. Dizemos o eleitor consciente, porque os eleitores venais, em sua maior parte responsáveis pela eleição de muitos dos atuais vereadores, estes vão continuar a escolher candidatos sem se preocupar com a qualidade destes. Votarão em troca de qualquer mixaria.

Outro dia, alguém ouviu de um eleitor a seguinte afirmação, recorrente às vésperas de cada eleição: “se fulano/a for candidato/a, eu voto nele/a por um bujão de gás”. Tem gente que se contenta com uma simples sandália japonesa ou uma câmara de ar de bicicleta. Em algumas ruas de periferia, determinados candidatos circulam, as vésperas das eleições, comprando votos por dez reais.  Padre Levi já ensinava cinquenta anos atrás: “ferre o boi e vote no padre”. Mas pouca gente aprendeu.

Alguns bons nomes estão sendo anunciados como futuros concorrentes nas próximas eleições para vereador. Será que Patos tem eleitores conscientes suficientes para eleger pelo menos meia dúzia de bons novos representantes seus na Casa de Juvenal Lúcio de Sousa? (LGLM)

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