Propina com recibo: MPF descobre nova ‘modalidade’ na Paraíba e aciona prefeito e mais 9 por fraudes



Uma fotografia encontrada no aparelho celular de um empresário investigado na Operação Recidiva, que apura fraudes e desvios em obras públicas em várias prefeituras do Sertão do Estado, fez os investigadores do Ministério Público Federal (MPF) concluírem que estão diante da descoberta de uma nova ‘modalidade’ de fraude: o pagamento de propina com recibo, na Paraíba.

O material faz parte de uma Ação Civil Pública proposta pelo MPF e que tem como alvos o prefeito da cidade de Teixeira, Edmilson Alves dos Reis (Nego de Guri), o vereador Assis Catanduba e mais 8 pessoas suspeitas de envolvimento no suposto esquema. Eles são acionados por improbidade administrativa.

No documento há anotações referentes a recursos empregados na construção de uma unidade básica de saúde e, ao lado dos valores, a descrição das finalidades:

Foto: MPF

Segundo o MPF, os R$ 9 mil de “acertos” seriam repassados para empresários que participaram de forma fraudulenta da licitação e os R$ 190,2 mil, que ao lado receberam a expressão “divididos para dois”, teriam como destinatários o prefeito da cidade, Nego de Guri, e o vereador Assis Catanduba.

O vereador, conforme o MPF, seria o responsável pela execução das obras no município. Os serviços, porém, foram contratados pela prefeitura para serem feitos pela empresa Melf Construtora. O empreendimento, para o MPF, é de fachada.

A Operação Recidiva

Até agora a Justiça Federal na Paraíba já publicou quatro sentenças oriundas das investigações feitas pela ‘Operação Recidiva’, em diversas cidades da Paraíba. Somadas, as penas dos réus já ultrapassam 67 anos de prisão, além de multas.

Prefeitura diz que empresa foi afastada

A assessoria jurídica da prefeitura de Teixeira informou que as obras citadas na ação do MPF foram realizadas dentro da legalidade e que a empresa Melf foi afastada dos serviços.

Os advogados do prefeito Nego de Guri disseram que irão provar a inocência dele no decorrer do processo. O Blog não conseguiu contato com a defesa do vereador Assis Catanduba, mas o espaço continua aberto para manifestações.   

Fonte – Jornal da Paraíba / Pleno poder – Por João Paulo Medeiros