Por que Patos chegou ao fundo do buraco. Por Luiz Gonzaga Lima de Morias



Embora a administração municipal tenha chegado talvez a sua maior crise financeira, o que levou à situação atual é um problema antigo de vários anos.

Ninguém se elege só para administrar a cidade ou representar os anseios da população na Câmara de Vereadores. Cada prefeito se elege pensando num futuro político. Cada vereador se elege pensando também num futuro político. Por trás desse futuro político buscam ambos ao invés do interesse maior da população, o próprio sucesso financeiro.

Alguns conseguem conciliar as duas coisas. Tivemos prefeitos que fizeram sucesso na política, tendo como base uma boa administração. Mas houve casos em que num primeiro mandato fizeram uma boa administração, mas terminaram se deixando vencer pela ganância e depois decepcionaram a população, num segundo mandato ou numa representação parlamentar.

Vereadores houve que fizeram sucesso na Câmara de Vereadores e depois chegaram a altos cargos eletivos, pois a sua busca era antes de tudo de ganhos políticos.

Outros fizeram do mandato apenas fonte de ganho financeiro, não medindo esforços para isso. Tivemos prefeitos que saíram da prefeitura ricos. Tivemos vereadores que saíram do mandato remediados. Embora tenhamos casos de quem saiu dos mandatos mais pobre do que entrou.

Embora todos vejamos como coisa normal, é estranha a preocupação de todo prefeito, e não é só em Patos, em fazer maioria assim que se elege. Claro que o prefeito precisa de maioria na Câmara para governar. Como o governador precisa da Assembleia e o presidente do Congresso.

Mas por trás desta preocupação de fazer maioria nas casas parlamentares existe um dos grandes problemas da política brasileira. Como tanto prefeitos, governadores e presidentes estão querendo “se arrumar” e “arrumar” os seus parentes e amigos, assim como os parlamentares pensam do mesmo jeito a nossa política se transformou num “toma lá dá cá”. A coisa começa na criação dos partidos. Cada político quer ter um partido para chamar de seu. Partido virou uma espécie de empresa. Só visa o lucro financeiro.

Esta ganância de executivos e parlamentares é que tem gerado os problemas da administração pública em todos os níveis. E Patos não podia ser diferente. Esta ganância tem sido maior a cada ano que passa. Cada político só pensa em seu futuro, político ou financeiro.

Vamos analisar alguns fatos da história recente de Patos. Depois do afastamento de um prefeito e da renúncia de dois prefeitos interinos, chegamos ao atual prefeito interino. As renúncias anteriores foram provocadas pela difícil situação financeira do município e pela dificuldade de enfrenta-la, já que só com medidas amargas se podia enfrentar o inchaço das despesas do município. Entre as medidas amargas exoneração de comissionados e cancelamento de contratos de trabalho e de prestação de serviço. E aí a raiz dos problemas que a cidade enfrenta hoje.

Para garantir maioria na Câmara, prefeitos seguidos vêm atendendo a ganância dos vereadores, nomeando para cargos comissionados e contratando dezenas de indicados pelos vereadores. Tem vereador que chegou a indicar mais de trinta pessoas. Aí nasceu em grande parte a nossa crise. Além das nomeações, alguns vereadores têm indiretamente o controle de determinadas secretarias onde gastam à vontade para garantir votos no futuro. O corte de nomeados e contratados, o controle das despesas de secretarias tem gerado toda a indisposição de grande parte dos vereadores com os últimos interinos. Alguns têm até ameaçado prefeitos com cassação de mandatos ou impeachment.

Por trás destes movimentos interesses contrariados. Vamos a alguns casos do conhecimento da população, embora não se deem nomes aos bois, por falta de provas, embora as evidências sejam grandes.

Tem vereador que conseguira a nomeação de toda a parentela e os cabos eleitorais. Pai, mãe, esposa, ex-esposa, sogra, sogro, cunhado, filho, sobrinho, namorados e amantes. O corte ou ameaça de exoneração destes, tem gerado a insurgência dos vereadores.

Tem vereador que vinha conseguindo se arrumar em várias administrações até três anos atrás e tem feito oposição ferrenha aos últimos prefeitos por que não conseguiu nomear nenhum parente.

Tem vereador que estava fazendo campanha política pessoal às custas da administração municipal e se viu contrariado por que lhe “cortaram as asas”.

Tem vereador que perdeu cabos eleitorais e busca aparecer para ver se consegue uma reeleição cada vez mais difícil.

Tem vereador que participou de administrações passadas, teve o controle de importante secretaria e foi remanejado para outro cargo porque criara uma folha de pagamento fantasma, com a qual estava se locupletando.

Estes e outros estão fazendo uma campanha difamatória visando derrubar os prefeitos para eles próprios se encastelarem no poder e “pintarem e bordarem”. Tem um deles que acena com liberdade total dos secretários para fazerem o que bem quiserem, no caso de eles próprios chegarem ao poder.

O que a cidade de Patos precisa hoje é de estabilidade administrativa. O caminho é cortar gastos. Quem tentar impedir isto, é inimigo da cidade e amigo apenas dos seus próprios interesses. E em 2020, só quem tenha compromisso com os interesses do município é que deve receber os votos da população. Para prefeito, vice-prefeito e vereador. Senão Patos nunca mais vai “sair do buraco”.

Não “dei nomes aos bois”, mas toda a cidade os conhece. E por trás das suas manobras percebe os seus interesses contrariados. E as suas pretensões futuras.

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