Patos perdeu recentemente, Zé Carreiro, um dos construtores do seu progresso



O final do ano trouxe uma perda significativa para a história do progresso de nossa cidade. Uma pessoa simples que começou com muitos da sua geração começamos, como ajudante de sapateiro. Nascido doze anos depois dele, eu andei “catando brochas” na sapataria de Branquinho, na rua da Baixa, onde trabalhava meu tio Miguel Paca.

José Simião Dias, um garoto franzino, filho de Simião Carlos Dias e Isabel Cavalcanti, nascido em 18 de outubro de 1933, começou, aos sete anos, na oficina de Vicente Martins, na rua Grande, nossas atuais avenidas Solon de Lucena e Epitácio Pessoa.

Como os sapateiros e seus ajudantes geralmente não trabalhavam na segunda-feira, dia de “tirar ressaca”, como ainda hoje, o garoto resolveu, junto com o irmão Simião Dias Júnior, comprar um carrinho de mão para carregar as compras dos que faziam feira, na então feira de Patos que acontecia, toda segunda, na Praça João Pessoa. Foi aí que virou Zé Carreiro. Era um reforço para a ajuda que davam em casa.

Como Zé Carreiro, cresceu na profissão passando a dono de oficina, fabricante de calçados e mais adiante comerciante no ramo, atividade que exerceu até alguns anos atrás.

Com os altos e baixos da atividade de fabricante e comerciante de calçados, com a participação dos filhos, começou a ampliar as atividades, passando a fabricar bolas, para atender a grande demanda dos futebolistas patoenses e da região. Daí nasceu, na rua Irineu Jóffily, uma das maiores indústrias atuais da cidade de Patos. Nenhuma do ramo de calçados se equipara hoje à Indústria e Comércio de Bolas Carreiro. A indústria, funcionando hoje na rua Carreiro, no nosso Distrito Industrial, deixou de fabricar calçados propriamente ditos, e fabrica chuteiras, bolas, tênis, calções, camisetas e todo o material para os mais diversos tipos de esportes, vendendo-os para todo o Brasil. Levando cada vez mais longe o nome da cidade de Patos para todo o país. A indústria nasceu da visão do velho Zé Carreiro e vem sendo mantida pelo tino empresarial de Marcélio e Niltim Costa, filho e genro de Zé Carreiro.

Do casamento com dona Maria de Medeiros Dias, nasceram treze filhos: Ricardo, Márcio (já falecido), Lúcia, Neide, Dilene, Reginaldo, Marcélio, Renê, Rosemberg (Dequinha), Rejane, Rodinilson, Roberta e Araceli. Márcio, falecido há cerca de dois anos, junto com Marcelo e Niltim, este na parte administrativa, encabeçaram o grande impulso que a empresa tomou nos últimos vinte anos, sempre com a orientação do experiente empresário Zé Carreiro, homenageado em 1985 pela ACIAP com empresário do ano. Márcio, o comandante da fase inicial, há alguns anos havia deixado a sociedade que Marcélio e Niltim continuam administrando com o mesmo sucesso de quando iniciaram com ele, enquanto introduzem os próprios filhos nos segredos da atividade.

Várias empresas na área de fabricação e comércio de calçados continuam a ser “tocadas” pelos filhos de Zé Carreiro.

Mas o velho empreendedor, apesar da cegueira quase total nos últimos anos, em decorrência de uma cirurgia malsucedida, continuava ligado ao que acontecia no mundo, sendo ouvinte assíduo de emissoras de rádio, estando entres os mais fiéis ouvintes desta REVISTA DA SEMANA. Os filhos sempre o cercavam para discutir os empreendimentos empresariais que planejavam.

Com a saúde abalada, nos últimos tempos, principalmente depois da morte prematura de Márcio, o velho Zé Carreiro, veio a falecer, aos 86 anos, em 28/12/2019. Seu corpo foi  velado no Jardim da Paz, no Distrito Industrial, com a presença de grande número de amigos, e sepultado no Cemitério de São Miguel.

Seu nome será lembrado como um dos grandes empreendedores, nas mais diversas atividades, responsáveis pelo progresso da cidade de Patos.

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(Luiz Gonzaga Lima de Morais)

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