Politica

Partido Liberal deve pedir ao TSE anulação das eleições de 2022

Documento elaborado pela auditoria do Instituto Voto Legal diz que não é possível validar o resultado das urnas

ÓTICAS GUIMARÃES

Partido Liberal (PL) deve pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anulação das eleições 2022. A informação, inicialmente divulgada pelo portal O Antagonista, foi confirmada pelo programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan News. O documento elaborado pela auditoria do Instituto Voto Legal (IVL) e obtido pelo site da Jovem Pan, diz que não é possível validar o resultado das urnas. No dia 30 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente do Brasil após uma disputa acirrada com o atual mandatário Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições 2022. O petista obteve 50,8% dos votos válidos, enquanto o atual chefe do Executivo somou 49,1%. Após o pleito, apoiadores de Bolsonaro foram às ruas protestarem contra o resultado das urnas.

O relatório de 12 páginas, assinado por Carlos Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL); seu vice Márcio Abreu, engenheiro eletrônico, e o membro associado Flávio Gottardo de Oliveira, engenheiro aeronáutico, ambos formados no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), diz que estudos estatísticos identificaram uma “interferência indevida nos percentuais de votação dos candidatos”. O IVL afirma que a auditoria seguiu os procedimentos determinados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Para encontrar evidências de que este grupo de urnas não teria funcionado corretamente, foi realizada uma análise inteligente dos dados contidos nos arquivos Log de Urna de todos os modelos de urna eletrônica, utilizados nas eleições de 2022″, diz o documento. A ação, a ser finalizada, considera duas auditorias sobre urnas. Uma delas diz “não ser possível validar os resultados gerados em todas as urnas eletrônicas de modelos 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015”. 

O IVL argumenta que quando um arquivo de Log de Urna inválido é gerado, o equipamento apresenta falha de funcionamento e confirma que “utilizou uma versão de código dos programas diferente da versão utilizada nas urnas eletrônicas modelo UE2020, lacrada em cerimônia pública no TSE. Códigos iguais de programas de urna eletrônicas geral arquivos válidos de Log de Urna”. Sendo assim, o instituto chegou a conclusão de que “não é possível validar os resultados gerados em todas as urnas eletrônicas de modelos 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015, resultados estes que deveriam ser desconsiderados na totalização das eleições o segundo turno, em função do mau funcionamento destas urnas”. A divulgação do relatório ocorre no mesmo dia em que diversas manifestações foram realizadas no Brasil. Atos foram registrados em ao menos 12 capitais do país.

Na terça-feira, 8, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse, em uma rara entrevista coletiva, que o partido aguardaria o relatório das Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas para decidir se aceitaria ou não o resultado das eleições – apesar da derrota para Lula no pleito presidencial, o Partido Liberal elegeu as maiores bancadas da Câmara, com 99 deputados, e do Senado, onde alcançou 14 cadeiras e ultrapassou o MDB. “Nós temos uns questionamentos que fizemos para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estamos aguardando, e vamos aguardar também amanhã, o relatório do Exército para a gente saber o que eles vão trazer. Por enquanto, não temos nada na mão”, disse Costa Neto.

Como a Jovem Pan mostrou, o relatório assinado pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, disse não ter encontrado nenhum indício de fraude nas eleições de 2022. O documento afirma, porém, o sistema eletrônico não está isento de “eventual código malicioso que possa afetar seu funcionamento”. Minutos após a divulgação do conteúdo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, afirmou que recebeu o relatório com “satisfação”. “O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu com satisfação o relatório final do Ministério da Defesa, que, assim como todas as demais entidades fiscalizadoras, não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022. As sugestões encaminhadas para aperfeiçoamento do sistema serão oportunamente analisadas. O TSE reafirma que as urnas eletrônicas são motivo de orgulho nacional, e que as Eleições de 2022 comprovam a eficácia, a lisura e a total transparência da apuração e da totalização dos votos”, escreveu Moraes.

Jovem Pan


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