Ossada é encontrada de frente a cemitério na cidade de Desterro



"igreja"

Sepultar um parente ou amigo não é uma missão muito fácil. E essa experiência dolorosa foi ainda mais dramática para o estudante de Direito, Clodoval Bento de Albuquerque Segundo, que flagrou ossos humanos jogados em um amontoado de lixo em frente ao Cemitério São Miguel, no município de Desterro, no Sertão paraibano. Revoltado, ele procurou a redação do Diário da Borborema para relatar o que testemunhou. "Os ossos estavam lá, jogados no lixo, junto a pedaços de mortalha e de um caixão", contou ainda estarrecido.

Clodoval disse que esteve em Desterro no último domingo, para acompanhar o sepultamento de um parente. Na frente do cemitério do município, deparou-se com a cena macabra. O rapaz estava acompanhado de um primo, Adriane Ronny, que fotografou a cena.

Segundo relatos dos dois jovens, os ossos humanos estavam jogados em um amontoado de lixo em plena via pública. "Fiquei horrorizado com tamanho descaso. Podem ser os restos mortais de um parente meu, mesmo distante, não sei. As pessoas passam por ali e como ficam com aquela cena? De repente, não sabemos nem se nossos antepassados estão ainda naquele cemitério, se os seus restos mortais não estão naquele monturo", afirmou.

A cidade de Desterro, segundo a vereadora Marivânia Campos de Lira (PC do B), é uma cidade sem administração pública. Ela afirmou que não só o Cemitério São Miguel está abandonado, mas toda a cidade, visto que o prefeito Edilson de Almeida, mais conhecido como "Didi" não reside no município. O gestor não foi localizado pela equipe de reportagem do Diário da Borborema ao longo do dia de ontem.

O coordenador da Vigilância Sanitária do Município de Desterro, José Carlos Soares, discordou das acusações contra a administração municipal, mas admitiu os problemas no cemitério, alegando superlotação no local.

José Carlos Soares confirmou a denúncia do estudante Clodoval Bento de Albuquerque, mas explicou que os ossos vistos por Clodoval no lixo foram jogados pela própria família de um defunto sepultado no último domingo, que teria esvaziado a cova e jogado os ossos na rua. "Mas logo que fomos avisados, providenciamos o retorno da ossada ao cemitério e a retirada do lixo da rua. Aqui tem administração sim", asseverou Carlos.

Diario da Borborema
Foto: Adriany Ronny/Divulgação