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“Os heróis também sangram”

Em tempos de pandemia como esta do novo coronavírus, COVID – 19, em que milhares de pessoas adoecem, se recuperam, sofrem, sonham e que, infelizmente, muitas morrem, aqueles que trabalham nos hospitais, UPA’s, UBS’s, SAMU…acabam também sendo vítimas por estarem na linha de frente. Assim, os heróis também sangram.

Nesta segunda-feira, dia 18, eu conversava com um profissional de saúde do Hospital Regional de Patos e a aflição transpareceu. A preocupação era porque vários colegas haviam sido contaminados pelo COVID – 19. Medicação cara, afastamento do serviço e o medo por colocar seus próprios familiares e amigos em risco. Outro medo era diante da rapidez que tinham que retornar ao serviço. Alguns depois de 15 dias que haviam sido acometidos pelo COVID – 19 já estavam retornando ao trabalho por medo de serem substituídos ou mesmo por medo de punição por desobedecer a “junta médica”.

Existe pressão psicológica em todos os sentidos: precisa do emprego, tem medo de morrer, lamenta pelos pacientes que sofrem, outros morrem, as notícias que não param, a obrigatoriedade de manter a vigilância para não contaminar familiares e os filhos, a máscara que sufoca, o remédio que se busca, os leitos que estão ficando lotados, o teste que deu errado diante da suspeita quase evidente do acometimento da doença, a folga cada vez mais escassa e que não repõe o cansaço. Uns tiram de letra, outros enfrentam a ansiedade e até depressão. Tanta coisa acontecendo e essa cura que vem demorando!

Nos jornais, nas televisões, nas redes sociais, os profissionais da saúde são tratados como heróis. Aplausos e o choro de agradecimento daqueles que foram acolhidos e, por vezes, tem alta médica e voltam para suas famílias. Na vida real, heróis que sangram! Pelos governos são tratados como trabalhadores comuns que podem ser substituídos diante da mão de obra abundante. Jornada de trabalho estafante, salários nem tão bons para enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros, condutores, auxiliares de serviço, radiologistas…

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) nem sempre protegem. Existe escassez. Máscaras que deveriam ser substituídas a cada tempo conforme recomenda o fabricante, agora devem ser usadas pela necessidade por até 15, 20 dias. Acaba o plantão, uns vão para casa, outros para o isolamento diante do medo de estarem contaminados…já, já tem retorno ao plantão e começa tudo de novo.

Pois bem, os heróis estão sempre sangrando na vida real!


Jozivan Antero – Patosonline.com

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