O problema é bem mais grave! É o que revela palestra-debate sobre meio ambiente realizado em Patos



O presidente Municipal da Unidade Popular (UP), Emanuel Escarião, fez a saudação inicial aos presentes na palestra-debate sobre meio ambiente, tendo como tema: “Um olhar sobre o lixão de Patos e o contexto ambiental brasileiro”. O evento aconteceu no auditório da Rádio Espinharas na tarde deste sábado, dia 26, e contou com um público diversificado.

A mesa da atividade que dirigiu os trabalhos foi composta pelo próprio presidente da UP/Patos e pela assistente social e diretora da UP Fernanda Oliveira, além dos facilitadores convidados: a professora-doutora e pesquisadora Carminha Leart Cunha, do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Campina Grande, Campus Patos (UFCG/Patos) e também por Delzymar Dias que é professor de História, Bacharel em Direito e ex-secretário de Meio Ambiente do Município de Patos.

Para dar início a discussão, a professora Carminha Leart fez a exposição revelando dados e observações preocupantes sobre o atual cenário ambiental brasileiro, principalmente após o desmonte de comissões, órgãos de controle ambiental, incentivo ao desmatamento na Amazônia e a falta de medidas concretas para evitar uma catástrofe ambiental ainda maior do que já ocorre aos olhos vistos. Somente nos primeiros meses do Governo Bolsonaro (PSL), o Brasil é recordista na liberação de agrotóxicos proibidos em outros países. Já são mais de 300 liberações em um curto espaço de tempo.

Carminha Leart destacou a impunidade diante de crimes ambientais, tais como em Brumadinho (MG), que levou a morte de centenas de pessoas e a destruição de rios importantes. A Vale, empresa responsável pela destruição de rios, vidas de animais e de seres humanos segue explorando como se nada tivesse acontecido. A queimada na Floresta Amazônica também foi abordada e agora o óleo que polui praias do Nordeste. “Nos dois casos, o Governo Federal demorou a agir e ficou buscando culpados enquanto a tragédia se prolongava”, relatou Carminha que trouxe mais um alerta: “Se a Floresta Amazônica for destruída em 40% ela não conseguirá mais se recuperar. Ela é responsável pelas chuvas também. Não pensem que devido a floresta não estar próximo da gente ela não interfira aqui na nossa região. A Floresta Amazônica é importante para todo o mundo”, disse a professora.

“O que está acontecendo lá na Amazônia afeta nossa vida, o que está acontecendo no Sul e Sudeste com produção de alimentos afeta nossa vida…nós não podemos achar que meio ambiente é só o que está ao redor, pertinho da gente…”, alertou Carminha.

O professor Delzymar Dias veio logo em seguida trazendo observações sobre as questões do meio ambiente no Município de Patos. Para o professor, o lixão da cidade de Patos pode ser administrado pela própria Prefeitura e aproveitado todo o potencial econômico. Delzymar fez saber que existem vários modelos pelo mundo do aproveitamento dos resíduos sólidos e descordou da ideia de concessão para empresas privadas explorarem por 20, 25 anos tendo autorização irrestrita do Município.

A arborização na cidade de Patos foi outra questão destacada e que exige posicionamento para fazer com que a cidade seja exemplo no plantio para ajudar na melhoria do clima, além de programas para o melhor aproveitamento do Rio Espinharas que se encontra destruído pela invasão de imóveis e o derramamento de esgotos diretamente no leito.

Várias contribuições foram dadas assim que se abriu ao debate para os presentes. A cada fala foi possível aprofundar a real necessidade de expansão da discussão em escolas, bairros, associações, igrejas, sindicatos e instituições. “Uma discussão como essa não pode ficar só aqui…temos que levar para muitos lugares e para nossos bairros”, disse Aline Ana, do Movimento de Mulheres Olga Benário.


Jozivan Antero – Patosonline.com

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