O problema da filiação partidária



Antigamente o cidadão escolhia um partido político, porque ele tinha determinada linha política ou determinadas lideranças com quem ele concordava. Por isso era fiel ao partido até o fim.

Neste tempo, quando a fidelidade do eleitor era ao partido ele permanecia nele indefinidamente, a menos que acontecesse uma mudança seja na ideologia, seja nos dirigentes, com que ele não concordava. Quando a fidelidade do eleitor era a uma determinada liderança ele acompanhava aquele líder para onde quer que ele fosse.

Durante algum tempo, fui filiado ao PT, por conta da ideologia do partido. Fui candidato a vereador duas vezes e a deputado estadual duas vezes. E votei fielmente nos seus candidatos por que acreditava que eles eram fieis à linha do partido e agiriam de acordo com a ideologia da legenda. Cheguei a votar em Lula umas oito vezes.

Quando assumi as minhas funções no Ministério do Trabalho eu já estava desfiliado, por discordar de algumas posições de dirigentes locais. E fiquei afastado da militância justamente por conta das funções que exercia.

Posteriormente me decepcionei com o partido, por conta das estrepolias de alguns dos seus dirigentes, mas continuei a votar esporadicamente em alguns candidatos do partido que mantinham a linha tradicional e permaneciam com a postura de honestidade que era a linha tradicional do partido. Nas últimas eleições, por exemplo, votei em Luiz Couto para senador. Aliás a minha decepção não foi com a ideologia do partido, foi com  os dirigentes que não me mereciam mais confiança. Ainda há algumas lideranças decentes e muitos que ainda continuam seguindo estas lideranças.

Hoje, entretanto, os partidos, com raras exceções não têm mais uma ideologia consistente. E a maioria perdeu a fidelidade dos seus eleitores, que passaram a votar em candidatos das mais diversas legendas ou acompanhar determinadas lideranças.

Para dar dois exemplos locais. O grupo Motta comandava o MDB local e hoje migrou com a maioria dos seus eleitores para o PRB, o partido Republicanos.  Muitos não sabem nem que são os dirigentes nacionais. Muitos nem sabem que são correligionários dos filhos de Bolsonaro. O presidente é o Pastor Marcos Pereira, da Igreja Universal, que comanda e tem interesses no partido.

O grupo de Dinaldo Wanderley esteve do PFL (hoje democratas), no PSDB de Cássio Cunha Lima e hoje, sob o comando local de Dinaldinho Wanderley, está no MDB, comandado no Estado por José Maranhão, que até algum tempo atrás era o guru do Grupo Motta.

Mas, assim como tem eleitores do grupo Motta espalhados pelo PT, PCdoB e outros partidos, além do Republicanos, tem antigos eleitores de Dinaldo, espalhados por vários partidos. Uns ainda no Democrata, e no PSDB, outros no MDB e assim, por diante.

Esta dispersão partidária é determinada por uma exigência legal. A nossa lei eleitoral exige que para ser candidato a qualquer cargo político, o cidadão tem que estar filiado a um partido. A nossa legislação não permite candidaturas independentes, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos.

Como os partidos não tem mais ideologia, ao invés de a estrutura partidária escolher os candidatos a prefeito e vereador, para ficar no exemplo local, os candidatos é que escolhem os partidos. Um candidato a prefeito busca um partido que ele possa comandar para evitar que na hora das convenções alguém lhe “puxe o tapete”. O candidato a vereador busca um partido em que ele tenha chances de se eleger, evitando muitas vezes aqueles partidos onde iria concorrer com vereadores que são candidatos à reeleição, onde o candidato novato só fosse servir de escada para os outros, com pouca chance de conseguir se eleger.

Como consequências destas mudanças, o partido passa a ser um simples detalhe. Um eleitor de ideologia de esquerda pode votar num candidato de um partido do centro ou de direita, desde que aquele candidato tenha um pensamento políticos concordante com o seu. Por outro lado, um eleitor de centro ou de direita pode escolher um candidato de esquerda deste que ache que aquele candidato está preparado para exercer o cargo que disputa e tem um mínimo de dignidade que um correligionário seu teria.

Para o eleitor, que não tenha paixões políticas, pode haver bons candidatos em qualquer partido. É só procurar. E o eleitor consciente faz isso. Escolhe pela capacidade do candidato, pela sua hombridade, pela sua independência para agir obedecendo apenas aos critérios legais.

Antes de olhar para que partido está filiado um determinado candidato, verifique antes se o candidato está capacitado para exercer o cargo para o qual se candidatou.

O que nos motivou a tratar desta questão é que alguns fazem restrições a determinados partidos e por isso dizem que não votam em determinado candidato. Como os partidos não têm ideologia e o candidato tem que se filiar a um partido, antes de pensar no partido o eleitor deve pensar nas qualidades do candidato, condição indispensável para uma boa escolha.

Às vezes o eleitor diz que não vai votar em determinado candidato porque alguém com quem não simpatiza apoia aquele candidato. Não esqueça, porém, de que o que é ruim não é o apoio. O que é ruim é quando o candidato consegue o apoio em troca de um compromisso que não seja republicano ou seja, que não seja compatível com uma boa administração, o chamado “toma-lá-dá-cá” O que o eleitor deve rejeitar é um candidato que será dominado por alguém que ele sabe que não presta.,

Não se esqueça de que se você escolher mal, um prefeito ou um vereador, o prejuízo é para você e para a sua cidade. Se você escolher bem, ganham você e a sua cidade. Pense bem antes de votar. O que importa é a qualificação do candidato para o cargo que pretende exercer. Pense bem. Se escolher mal você tem quatro anos para se arrepender. (LGLM)

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