Os procedimentos da medicina nuclear, ramo da medicina que usa quantidades mínimas de substâncias radioativas (radiofármacos), são uma ferramenta útil para a pediatria. Além de pouco invasivos, permitem um diagnóstico preciso por imagem dos órgãos e tecidos vivos em pleno funcionamento. Ainda assim, a falta de conhecimento e o medo infundado da população quando o assunto é radioatividade seguem como entraves.

Segundo o médico nuclear e diretor da clínica especializada MND Campinas, Celso Darío Ramos, existe um temor quando os procedimentos envolvem elementos radioativos. “Isso se deve, sobretudo, à falta de conhecimento. A quantidade de radiação envolvida é ínfima e utiliza radioisótopos de meia-vida muito curta. Esses fatores tornam o diagnóstico da medicina nuclear mais seguro do que muitos exames mais invasivos e menos precisos”, explica.

Alta resolução
Entre os principais exames utilizados em pacientes pediátricos, está a cintilografia, ferramenta de diagnóstico que usa elementos radioativos diferentes para analisar partes específicas do organismo. Esse tipo de estudo é utilizado na investigação dos sistemas urinário, gastrointestinal e musculoesquelético, tanto para a busca de doenças benignas quanto em certos tipos de câncer. 

Na cintilografia, pequenas quantidades desse material radioativo são inseridas no organismo por injeção, ingestão ou inalação. As formas variadas permitem que o método seja usado para diagnosticar, estadiar, tratar ou acompanhar a evolução da doença.

“A medicina nuclear ainda é utilizada em procedimentos como a cistografia radioisotópica, para o acompanhamento do refluxo de urina da bexiga para os rins, e a cintilografia óssea, para suspeita de osteomielite e pesquisa de metástases ósseas”, diz o especialista.

Risco menor
De acordo com Ramos, a dosagem de elementos radioativos aplicada à medicina nuclear é calculada levando em consideração o peso corporal do paciente. Dessa forma, a quantidade de radiação recebida é muito baixa.

“Na maioria das vezes, trabalhamos com dosagens inferiores àquelas utilizadas em outros procedimentos radiológicos, como a tomografia computadorizada. Essa segurança torna a cintilografia uma ferramenta de diagnóstico segura até mesmo em recém-nascidos, sendo usada principalmente na investigação de doenças renais”, finaliza o diretor da MND Campinas.