Quem beira os 50 anos sabe do que vou falar. Nasci ouvindo frases feitas do tipo “matar um leão por dia” ou “quem não chora não mama”, mas a que mais me deixa perplexo, a que mais foi incorporada por grande parte do povo brasileiro é a bendita lei de Gerson. A célebre frase era mote de um comercial de cigarros do final dos anos 70 e tinha como protagonista Gerson de Oliveira Nunes ou simplesmente Gerson. O “canhotinha de ouro” eternizou a seguinte frase: “O brasileiro gosta de levar vantagem em tudo, certo”?

Durante décadas, essa “filosofia” ou teoria do espertalhão tomou conta do Brasil. Como uma simples frase poderia ter tanto significado para aqueles que ainda não tinham se apercebido que possuíam essas características? Estava lá no DNA esperando a frase para se manifestar. O resumo disto era se você não for mais esperto que os outros vai se dar mal. A cultura do passar a perna tomou uma proporção inimaginável. Desde furar uma fila até subornar uma autoridade. Aquilo que era caracterizado como cena do malando dos morros cariocas, após esse comercial tomava conta do país e, principalmente, dos políticos brasileiros. Maldito Gerson!

Por que resolvi tratar desses assuntos em pleno 2016? O momento é propício. O cenário político se mostra em ebulição justamente na hora em que temos tudo para iniciar o processo de desmistificação dessas culturas. Os problemas brasileiros não serão resolvidos simplesmente com o impedimento da presidente da República, mas o conceito começa a mudar.

A política começa a ter um quadro de destaque perante a sociedade. Dividisse espaço das novelas, com os jornais e as mesas redondas da política nacional.

Vivemos em uma democracia que ensaia os primeiros passos, mas, com certeza, ficaremos em pé para, posteriormente, começarmos a andar.

As crianças de hoje já nascem com o DNA corrigido. A lei de Gerson para as novas gerações são tidas como impensáveis, fora de uso e ilegais, graças a Deus!

Toda essa discussão só trará benefícios ao país. Vai demorar, mas os benefícios estarão visíveis em um outro modelo de sociedade e independentemente de nível social. 

Essa politização nos ajudará, inclusive, nos negócios. O brasileiro sabe que aquele leão magrelo que tínhamos que matar para sobreviver no início dos anos 80 se transformou atualmente em um outro bicho, talvez em um zumbi asiático vitaminado no melhor estilo The Walking Dead. Agora, o seu concorrente não é mais só o público interno, mas a sua concorrência está espalhada pelo mundo. Qualquer empresa em qualquer lugar do planeta pode estar de olho no seu cliente.

Ver a realidade política atual, fazer com que as pessoas pensem a respeito de como seria uma sociedade mais justa e ensiná-la a cobrar isso ao Executivo, Legislativo e Judiciário é o próximo passo. Educação para gerarmos mais oportunidades e negócios. É isso que precisamos. Chega de Gerson. Quem quiser que cuide do coitado do leão!

*Silvio Bianchi é publicitário, diretor-presidente da Trilha Tecnologia, empresa especializada em negócios B2B