Aplaudimos desde o início a criação da FUNDAP, não por fazermos parte, à época, da administração de Dinaldinho, mas porque vimos na ideia a perspectiva de facilitar os incentivos às atividades culturais na cidade. E acreditamos que nisto, a FUNDAP, sob a direção de Deleon Souto, estava dando conta do recado. Muitas atividades culturais têm sido realizadas nos últimos tempo, nas mais diversas artes, atividades que incentivam o surgimento de novos valores e que tornam visíveis os excelentes artistas da terra. Tomamos conhecimento na noite desta quinta-feira, 09/05, que Deleon e outros dirigentes estariam entregando hoje os cargos e que Sales poderia até extinguir a FUNDAP.

Uma das críticas que se tem feito à FUNDAP é o custo que representa para as finanças do município, segundo se comenta, da ordem de quarenta mil reais mensais. Valeria a pena verificar a que se deve este custo. Se ficar patente que a fundação vinha sendo usada como um cabide de empregos, que seja reduzido o seu quadro funcional para um número imprescindível de funções. Se há excessiva valorização dos artistas que são incentivados a mostrar sua arte, que se reduza a sua remuneração para o valor merecido. Se estão gastando demasiado com os professores e monitores utilizados para o ensino das mais diversas artes, que se faça uma otimização do uso destes professores e monitores. Acabar com a FUNDAP é ameaçar a florescente cultura que estava sendo incentivada em Patos, sem que esta economia resulte em ganhos evidentes para a população. Na promoção da cultura por Deleon e sua equipe não há o que reparar.

Há quem queira atribuir à FUNDAP a tragédia do São João de Patos. Para alguns faltou organização. A realização do São João podia ter se tornado viável se tivesse havido mais organização na sua preparação. Isto é verdade em parte. Mas não se pode perder de vista o fato de que as condições financeiras do município não poderiam, de jeito nenhum, arcar com despesas de vulto para a realização do evento. A prefeitura poderia no máximo investir na infraestrutura básica. Palcos e camarotes, por exemplo, teriam que se pagar.

As dificuldades financeiras do município podem ter servido de álibi para o cancelamento da festa. Haveria interesses estranhos a serem contemplados com a privatização da festa. Não vamos entrar no mérito desta questão. O futuro nos dará uma resposta quanto a isso. Todas as informações existentes com relação a isso, por quentes que sejam as fontes, ainda carecem de comprovação.

Voltando à questão da organização do São João, vale ressaltar que Deleon talvez tenha sido sobrecarrregado nesta parte. Várias questões têm que ser resolvidas na organização de uma festa da envergadura do São João. Há a parte da programação artística e cultural, há a parte de captação de patrocínios, há a parte de contratação dos artistas previstos na programação, há a parte de infraestrutura, há a parte de publicidade e divulgação. O ideal, a nosso ver seria, que houvesse uma comissão para cuidar de cada uma destas questões, mantendo-se em sintonia para que o resultado final fosse o mais harmônico possível. Até onde saibamos não havia esta comissão. Isto teria sobrecarregado Deleon, o que poderia ter sido o motivo do insucesso da preparação da festa. Faltou dinheiro, porque não se conseguiu patrocínio, embora, como já se dissemos em comentário anterior o patrocínio tenha se tornado cada vez mais escasso por conta da crise financeira e dos cortes de verbas oficiais. Fala-se que, com o aporte de mais quinhentos mil reais, a festa teria sido viabilizada e que o comércio local, o grande interessado na realização do São João, poderia ter levantado estes quinhentos mil reais. Faltou talvez quem tentasse mobilizar o comércio. Com relação à sobrecarga da organização nos ombros de Deleon, passaram-me uma informação nas últimas horas, de que o então prefeito interino Bonifácio Rocha teria proposto a formação de uma comissão ou um grupo de pessoas que tratassem da organização da festa em todos os aspectos, mas que Deleon teria respondido que, ou ele se encarregava da organização ou entregava o cargo. Não falei sobre isso, nem com Bonifácio, nem com Deleon, mas fica aí a dica para quem quiser apurar.

Agora é tarde. “Inês é morta”. Vamos ver se alguém se encarrega de manter a festa, nem que a prefeitura reassuma a sua organização e realização no ano que vem.

Resta-nos agora, fazer um apelo ao senhor prefeito, Sales Júnior, em favor da FUNDAP. “Senhor prefeito, se tem, como esperamos, respeito para com a população e para com a cultura da cidade de Patos, preserve a FUNDAP. Que se enxugue sua estrutura se a entender pesada, mas entregue-a a pessoas que tenham realmente compromisso com a cultura de Patos, não a aventureiros que só queiram angariar prestígio e se locupletar de qualquer forma. Se tem alguém melhor do que Deleon e sua equipe, que os nomeie, mas não comprometa a cultura de Patos. E o belo trabalho que a equipe vinha realizando.  Muitos invejosos vinham criticando Deleon. Talvez encontre entre eles alguém que tenha competência e honestidade para promover a nossa cultura melhor do que ele.”  (LGLM)