Há um axioma latino que adverte as pessoas para terem consciência dos seus próprios limites: “Ne sutor ultra crepidam judicare” que significa em português: Não deve o sapateiro julgar além da sandália. Com isso os antigos queriam dizer que: ninguém deve falar sobre aquilo que não entende. Que ninguém veja nisso censura a jornalista, advogado, médico ou quem quer que seja. Quem fala sobre o que não entende termina dizendo besteira. E os políticos atuais são mestres nisso. E que me perdoem os sapateiros muitos dos quais mais sabidos que muito doutor.

Esta introdução me foi sugerida pela manifestação de alguns sobre um Censo Previdenciário que está sendo feito pelo instituto de previdência do município, o PatosPrev. Bem como, por conta da resistência que alguns funcionários municipais da ativa têm manifestado em participar do referido censo. A cada ano, os institutos de Previdência têm que fazer o que se chama de cálculo atuarial, é um cálculo para avaliar a capacidade futura de aquele instituto pagar agora e no futuro os benefícios dos seus associados. Assim, como se torna necessário pela necessidade de saber se está pagando benefícios aquelas pessoas que realmente têm direito aos benefícios. É por isso que o INSS tem feito perícias para descobrir as fraudes na percepção de benefícios, e o Governo Federal vem propondo uma reforma da Previdência. As fraudes ameaçam o INSS, ao mesmo tempo em que uma reforma se faz necessária para a sobrevivência daquele instituto e a garantia de que no futuro, nós, nossas viúvas e nossos filhos iremos receber os nossos benefícios. Claro que há alguns exageros na proposta do Governo Bolsonaro, mas na essência a reforma é necessária. Cabe ao Congresso burilar a proposta e torná-la mais próxima do ideal.

Mas voltemos ao caso do censo promovido pelo PatosPrev. Além de saber se os benefícios estão sendo pagos a quem é realmente devido, o censo dará a conhecer quem serão os futuros beneficiários do instituto e qual a capacidade do PatosPrev para pagar os seus benefícios. Neste ponto, o censo interessa muito mais aos que estão hoje na ativa, pois só no futuro é que receberão seus benefícios. Já pensou o que será pagar ao PatosPrev durante 30/35 anos e o instituto quebrar mais na frente? O censo precisa apurar todos os detalhes sobre cada um dos atuais associados do instituto, para o instituto avaliar a sua capacidade de pagar a todos eles no futuro. Este censo vai calcular quantos serão os futuros aposentados, calcular aproximadamente por quantos anos viverão eles e seus dependentes para receber os benefícios. E calcular quanto os atuais associados devem pagar por mês e o aporte que a prefeitura deve fazer para garantir a liquidez do instituto, ou seja a sua capacidade de pagar o devido, agora e no futuro. Por isso é importante que funcionários da ativa, aposentados e pensionistas participem do censo, se querem ter a garantia de que suas aposentadorias e pensões estão garantidas agora e no futuro. É um pequeno incômodo, convenhamos, mas compensa. Será uma garantia de que você e seus dependentes não ficarão desamparados no futuro. Aliás, a atual diretoria do PatosPrev só tem que ser elogiada pela preocupação em realizar este censo.

 

(LGLM)