Tendo como base o projeto técnico do Canal do Frango, do Novo Horizonte e do Noé Trajano, a reportagem se debruçou sobre o que já pode ser considerada uma das maiores obras da cidade de Patos quando de sua conclusão total. O Canal do Frango, que teve sua inauguração no dia 26 de agosto, foi orçado em mais de Vinte e Sete Milhões de Reais. Cada quilômetro do referido canal custou uma média de Seis Milhões e Meio de Reais.

Analisamos as contradições, os erros e o que pode se tornar um escândalo em um período mais a frente, ou até hoje mesmo, na obra do Canal do Frango.

Ao término dos três canais, os recursos públicos ultrapassarão a casa dos Quarenta Milhões de Reais vindos de fontes ligadas ao Governo Federal e aos cofres do Município de Patos com suas contrapartidas. Frisa-se esse valor para que se saiba que essa quantia pertence ao povo e que cabe ao próprio povo fiscalizar a aplicação dos recursos oriundos dos impostos arrecadados com duras penas ao contribuinte. Espera-se que ao final da obra executada essa traga os benefícios que se espera e não constrangimentos sociais irreversíveis.

 

Vamos aos fatos sobre o Canal do Frango:

 

A análise é feita com cautela tendo como apoio fotos, opiniões de engenheiros e de cidadãos que contribuíram com um olhar crítico diante dos fatos aos quais se contrapõem os novos recursos de engenharia que não permitem erros como os vistos na execução da obra.

1- O Canal do Frango tem seu início nas proximidades do Bairro Jardim Lacerda, precisamente em uma pequena barragem que desemboca suas águas para o canal em tempos de sangria. Há poucos metros do referido local existe um mar de lama proveniente do Canal do Morro que tem um trecho esquecido para beneficiar pessoas influentes que tiram proveito da água fétida para regar capim, criar porcos e cavalos, utilizando inclusive trabalho infantil conforme flagrado pela redação. Para cobrir o fato da água do esgoto que em tempos de chuva desembocar dentro do Canal do Frango vindo do Canal do Morro, foram postos três canos para receber água da chuva-esgoto. No local não se vê nada que possa receber somente água de chuva. Por que o Canal do Frango não tem início no final do Canal do Morro que está há poucos metros de onde nasce o Canal do Frango e que poria fim ao lamaçal e revitalizaria uma área morta da cidade?

2 - As imagens revelam que o Canal do Frango que deveria receber no seu leito principal somente água de chuva, tem água de esgoto e de forma ininterrupta. Estranhamente a água suja nasce próximo ao início do Canal, pois a natureza é implacável e mostra que o lamaçal do Canal do Morro que foi esquecido faz com que a água penetre nas paredes e no piso do Canal do Frango. Dessa forma, a água suja é jogada para dentro do leito principal. Vê-se que em determinado local do Canal do Frango a passagem é seca devido à ausência de esgotos.

3- De acordo com a folha 056 da Concorrência Pública nº 08/11, DRENAGEM é: “Qualquer interferência que vise dirigir, canalizar, conter parcialmente, dissipar, dar proteção contra águas existentes no solo, sobre e que caem no solo”. Mas não é isso que se encontra em um dos trechos mais caóticos do esgoto às margens do Canal do Frango. Para existir o Canal do Frango sem esgoto, é necessário acabar o esgoto proveniente do Canal do Morro.

4 - Na mesma página 056, se percebe que o “descuido” diante do que se pede no projeto é tamanho que foram ignorados os pontos 7.2.2, que diz textualmente: “A execução de canais de drenagem em concreto deverá seguir as condições estabelecidas no projeto executivo dessas obras. A utilização de concreto na conformação é em decorrência de duas situações: *proteção do fundo e das margens contra efeitos erosivos do fluxo de água; * Estrutural, quando há necessidade de contenção dos terrenos laterais”. Isso foi completamente ignorado e já está causando estragos no Canal do Frango que tem menos de 30 dias de inaugurado. No início do Canal do Frango não é colocado proteção na margem. Nota-se que nas primeiras chuvas, poucas, diga-se de passagem, uma parte do barro já caiu dentro do Canal causando assoreamento. Nesse local existem cerca e porteira, mesmo a localidade sendo considerada pública.

5-Diversas páginas versam sobre especificações. Na pag. 061 é tratada a questão do cimento a ser utilizado. Um engenheiro técnico relatou à reportagem que o cimento usado não foi o adequado à obra, mas isso o tempo dirá. O engenheiro pediu para não ser identificado, mas disse que com o tempo a concretagem pode vir a ceder em alguns pontos.

6 - Na página 572 do projeto técnico é relatado que o esgoto é conduzido pela tubulação até a estação de tratamento.  Embora conste a Prefeitura de Camamu – BA, também existe um carimbo da Prefeitura de Patos atestando o projeto para o Canal do Frango. O que se encontra no final da obra é um crime ao Rio Espinharas, pois o Canal potencializa a captação de recursos e joga sem nenhum pudor dentro do Rio. O final do Canal do Frango está localizado no Bairro Jardim Europa ou próximo a este. Há poucos metros do final está a Rua Luiz Félix onde um jovem se equilibra para passar sobre um cano. Por lógica a referida Rua deveria ter recebido o final do Canal do Frango e destinar a água do esgoto para a Estação de Tratamento da CAGEPA que está do outro lado da BR 230, mas não é isso que se percebe.

7- Uma observação se faz necessária sobre a questão do calçamento nas ruas que cruzam o Canal. Nesse ponto a pag.102 e a 103 mostram a que as ruas devem ser calçadas, mas não é isso que se percebe em algumas delas. Existem ruas, como por exemplo,  a Manoel Medeiros, Jardim Lacerda, que o calçamento foi esquecido e a referida artéria ficou com um trecho sem finalidade.

8- Cada árvore do Canal do Frango custou cerca de R$ 90,00. Valor alto em tempos de visão ambiental aonde árvores vem sendo distribuídas gratuitamente por órgãos ambientais. As placas de sinalização também têm valores acima do preço encontrado no comércio.

9- Quem deveria acompanhar toda a execução da obra do Canal do Frango deveria ser a própria Prefeitura Municipal de Patos através de suas secretarias responsáveis. A reportagem procurou a Secretaria de Obras do Município que afirmou não ter o projeto. Talvez a própria Prefeitura de Patos não tenha mesmo interesse em acompanhar "A Maior Obra de Macrodrenagem do Interior do Nordeste", pois confia plenamente na empresa responsável pela execução que até doou R$ 30.000,00 para que a Banda Saia Rodada animasse os presentes no dia da inauguração.

Em contato com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente – SUDEMA o órgão se mostrou preocupado com a obra do Canal do Frango. A SUDEMA enviou laudo técnico a pedido do Ministério Público – MP mostrando que os esgotos deveriam ser destinados para tratamento e não despejados para dentro do leito do Rio Espinharas como acontece.

O ROTARY e outras entidades que se dizem preocupadas com a poluição do Rio Espinharas devem saber que quem mais polui o Rio é quem deveria proteger, ou seja, os poderes públicos. No caso do Canal do Frango, o crime ambiental é notório diante de uma obra de milhões de reais.

O temor de muitos cidadãos patoenses é que a obra do Canal do Frango traga os benefícios e também os constrangimentos devido à negligencia ou mesmo complacência de alguns que deveriam ser fiscalizadores. Faz-se lembrar de outra grande obra que foi a do esgotamento sanitário do Bairro Monte Castelo. Nessa outra obra que contou com milhões do Governo Federal, a rede de esgotos não funciona adequadamente, calçamentos foram feitos deixando pedaços e alguns trechos já apresentam sinais de obra malfeita.

Ninguém melhor que o tempo para trazer à tona o que se relata em tão breve matéria sobre A Maior Obra de Macrodrenagem do Interior do Nordeste.

 

 

Jozivan Antero – Patosonline.com

 

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