Perfil de um extraordinário Patoense, em breves palavras

 

 

    Queira Deus, que me inspirem as musas e que o grande escritor me perdoe a pretensão. E onde estiver,  nessas vastas extensões do Universo, onde os espíritos de escol repousam em paz, após lutas indescritíveis em favor dos seus semelhantes, submetidos ainda ao jugo condenável, dos poderes mundanos, aceite esse humilde trabalho que nada mais pretende que resgatar o valor de um homem incomum, que apesar dos seus incomparáveis esforços em prol da iluminação do espírito humano, foi esquecido pelos seus conterrâneos que deveriam antes disso, orgulharem-se grandemente de sua obra e de sua vida exemplar.

      Alírio Meira Wanderley, nasceu em Patos, a Morada do Sol das terras paraibanas, no dia 26 de outubro de 1906, na Fazenda Campo Comprido, às margens do Rio da Cruz. Filho de Francisco Olídio Wanderley e de Ignácia Maria Meira Wanderley , já aos cinco anos de idade, sabia ler e escrever. Diante desse fenômeno, os seus pais resolveram mandá-lo para a Capital do Estado, para que essa inteligência precoce não se perdesse, inutilmente, no meio da ignorância que grassava os sertões da Paraíba de então.

      Foi para João Pessoa, estudar no Colégio Pio X em 1906  e, para o assombro dos seus mestres escreveu, quando aluno ainda daquele educandário.o seu primeiro livro , poemas – Destino.

         Terminados os seus estudos primários foi mandado para o Recife aos estudos secundários.No entanto, na capital pernambucana resolveu abandonar os bancos escolares. Tornou-se autodidata. Entregou-se à leitura dos grandes pensadores, filósofos e cientistas e com isto angariou respeito e admiração dos seus contemporâneos. Em 1924, já aos 18 anos deixa o Recife e vai para São Paulo trabalhar e dar continuação às suas pesquisas e aos seus estudos. È lá ,na Capital Paulista que escreve as suas primeiras peças teatrais: “ O Lume do Alcantil”,  “Mãe Dada” , ” Janjão Dantas” e  “ Pai & Cia”.

           È em 1931 que publica o seu primeiro livro –

“Sol Criminoso”. Depois virão outros. È por esse tempo que trabalha Nos Jornais “ A platéia”, “ A Gazeta”, “ A Razão”  e igualmente no “Correio Paulistano” como também se presta a colaborar com jornais menores. Quando regressa à Paraíba, trabalha nos jornais “ O Norte”, , “ A União”,  e no “ Correio da Paraíba”, onde se destaca como colunista e  crítico literário. Colabora ainda com o jornal “ “Gazeta de Alagoas” de Maceió.

           Em 1931, torna-se tradutor. Aprendera, sem necessidade de professores, o russo, o francês, o alemão e o grego além de alguns dialetos falados na Europa. Traduz então do russo para o português Dostoiewsky -  “ Um Jogador”  e obras de  Tolstoi -  “Pe, Sérgio” e Khdjgi Murat.

               “ Os sete Enforcados”  e  “Judas  Iscariotes, são obras  de  Leonid Andreief, que traduz do russo para o português.

                  Sua obra é infinita. Escreve peças teatrais, ensaios políticos, poemas e mais poemas, além, de diversos tratados de Sociologia, respeitabilíssimos.

                   Em 1931 escreve uma farsa: “ Uma lira também se quebra”  aplaudidíssima pela crítica e pelos intelectuais, contemporâneos seus.

                  Suas idéias, seus escritos e seu espírito indomável de sertanejo nordestino atraíram inimigos irreconciliáveis. Fizera opção pelos miseráveis e pelos desprotegidos das Leis dos Homens e agora seria vítima de perseguições gratuitas e cruéis. Acusado de comunista e instigador da revolta popular, foge do governo Vargas e vem se esconder, para salvar a sua vida, por algum tempo, na Pedra do Jabre, tão conhecida de nós patoenses.

                  Faleceu no dia 15 de janeiro de 1955, em João Pessoa, vítima de embolia cerebral. Em 1959 sua vasta obra literária foi reconhecida, e torna-se – um fato inédito - após sua morte, patrono da cadeira no 37 da Academia Paraibana de Letras. Em Patos, é patrono da cadeira número 6 do Instituto Histórico e Geográfico Patoense.

                 Eis a relação dos livros que escreveu:

“Os brutos”,  “Bolsos Vazios”  ,  “ Cães sem Dono”

“ Espinho Branco” ,    Sol Criminoso”  ,  “ As Formigas”  e    Ranger de Dentes”.

 

           Não pretendi apresentar uma biografia do Grande Filho de Patos, mesmo porque minhas limitações me obrigam a reconhecer que me seria impossível, visto não ser detentor das devidas qualificações para tão hercúlea tarefa.  No entanto, neste breve comentário pretendi e não nego, tão somente contribuir para o resgate deste Grande Filho das Espinharas, nosso conterrâneo e exemplar brasileiro que não deve ser esquecido jamais, principalmente pelos filhos de sua amada Patos, seu torrão natal.

 

Souza Irmão

6 deJunho de 2008