Quem toma isotônicos com frequência corre sério risco de ter erosão dental. Essas bebidas são tão ou mais ácidas do que refrigerantes.

Uma pesquisa recente da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) em parceria com a UFPB (Universidade Federal da Paraíba) analisou em laboratório a perda mineral em dentes humanos após a exposição a esses produtos.

O estudo comparou alguns tipos de Gatorade com água destilada. "Concluímos que essas bebidas são muito erosivas. Atletas e consumidores não têm consciência disso", afirma Alessandro Cavalcanti, dentista, professor da UEPB.

Todos os líquidos e alimentos com pH abaixo de 5,5 podem ser nocivos para o esmalte dental.

Depois que esses líquidos são ingeridos, a saliva tem a função de neutralizar o processo de desmineralização. Mas, quando o consumo é contínuo, a neutralização não acontece.

"Quando consumimos em pequenas quantidades e intervalos pequenos, a saliva não dá conta de reverter o processo. Enquanto o pH fica inferior a 5,5, os dentes estão perdendo cálcio e fosfato", diz Marcelo Bönecker, dentista e professor da USP.

Esse é o problema dos isotônicos, segundo a dentista Sheyla Auad, especialista em erosão dental.

"Muitas bebidas são ácidas, mas a forma de consumo do isotônico é diferente. São bebidas tomadas muitas vezes durante a prática esportiva. Ninguém consome de uma vez só", diz.
A médio prazo, a ingestão de isotônicos causa a opacidade do esmalte e maior sensibilidade dental.

"No início, não é visível. A pessoa começa a sentir quando a lesão atinge a dentina (camada mais interna). Se o desgaste continuar, os dentes podem ficar menores e a pessoa ter alteração na mordida", afirma Auad.

Outro problema é que muitas dessas bebidas têm carboidratos e açúcares. "Nesse caso, junta o risco de dois tipos de lesão: a cárie e a erosão. São dois problemas sérios. A erosão ainda é pouco conhecida", diz Bönecker.

A recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é que isotônicos sejam consumidos só por atletas e com orientação de um especialista.

As embalagens dos produtos devem trazer um alerta quanto ao consumo específico, mas a agência não diz nada sobre a acidez da bebida.

 

Fonte: Folha de S.Paulo