
Durante a sessão solene realizada na noite desta terça-feira (27), que reconduziu a vereadora Tide Eduardo (Republicanos) à presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Patos, diversos parlamentares usaram a tribuna para manifestar apoio e solidariedade à presidente, afastada temporariamente do cargo. As falas ressaltaram a necessidade de união, diálogo e estabilidade institucional para o bom funcionamento da Casa Juvenal Lúcio de Sousa.
Um dos pronunciamentos mais marcantes foi o da vereadora Nadir (Republicanos), que lamentou o episódio e destacou o simbolismo do afastamento de uma mulher que ocupa um cargo de liderança no Legislativo. Nadir recordou sua própria trajetória ao afirmar que foi a primeira mulher a presidir a Câmara e também a primeira a ser afastada do mandato. Apesar disso, fez questão de frisar que não acredita que o caso tenha relação com misoginia.
“Como mulher, fico muito triste de estar aqui hoje falando sobre esse fato. A política se faz com grandes debates e com uma construção diária, e considero inadmissível que, nesta data, ainda passemos por momentos como esse, em que uma mulher assume o Poder Legislativo e tenha que passar pelo constrangimento de ser afastada por uma ação que partiu de seus pares”, lamentou a parlamentar.
Nadir também destacou que a Justiça cumpriu seu papel ao devolver Tide Eduardo ao cargo e defendeu que o episódio sirva de aprendizado para todos os vereadores. Segundo ela, a população patoense não aprova disputas internas por poder, mas espera uma Câmara atuante e alinhada com os interesses coletivos. “O povo de Patos quer ver a Câmara trabalhando de mãos dadas e contribuindo com a gestão exitosa do prefeito Nabor”, pontuou.
Ainda em sua fala, a vereadora alertou para os prejuízos administrativos enfrentados pela Casa durante o período de afastamento da presidente. “Para administrar uma Casa como essa, é preciso planejamento e, com o afastamento da presidente, tudo parou. Se fosse necessário convocar uma sessão extraordinária para votar alguma matéria importante, não havia como isso acontecer, e o maior prejuízo seria para a sociedade”, afirmou, sendo aplaudida pelos presentes.
Outros parlamentares também se manifestaram em apoio à presidente reconduzida. A vereadora Perla Gadelha (Republicanos) elogiou a dedicação de Tide Eduardo à organização dos trabalhos legislativos. “Sou nova na Casa, mas, nesse pouco tempo, tenho testemunhado sua dedicação. Seja bem-vinda de volta ao seu lugar, que é seu por direito”, declarou.
O vereador Jonatas Kaiky classificou o período como difícil e destacou a importância de aprender com o episódio. “Foram dias conturbados, dias difíceis, e deixo aqui minha mensagem de união para que a gente possa aprender com tudo isso”, afirmou.
Já a vereadora Brenna Nóbrega disse sentir-se representada pelas falas de Nadir e Perla e destacou o orgulho de ter votado em Tide Eduardo. “Tenho muito orgulho de ter votado em uma mulher comprometida como você, que provou grande capacidade de organizar os trabalhos desta Casa”, disse.
O vereador Galeguinho da Van (Republicanos) também se solidarizou com a presidente e lamentou a descontinuidade dos trabalhos internos da Câmara durante o período de afastamento, relembrando ainda dificuldades administrativas enfrentadas pelo município em gestões passadas. “Defendo que a gente se una, pois quem mais ganha com isso é o povo de Patos”, afirmou.
Encerrando os pronunciamentos, o procurador da Casa, Dr. José Lacerda Brasileiro, criticou o afastamento de todos os membros da Mesa Diretora e apontou falhas no processo. Segundo ele, não foram observadas garantias fundamentais, como o contraditório e a ampla defesa. “Jamais, com a configuração do processo e suas características, poderia acreditar no afastamento de seus membros, como foi feito”, disse, ao mencionar a ausência de análise do fumus boni iuris, expressão latina que significa “fumaça do bom direito”.
A sessão solene marcou não apenas a recondução de Tide Eduardo à presidência da Câmara, mas também um momento de reflexão interna sobre a importância do diálogo, da legalidade e da estabilidade política em benefício da população patoense.
Por: A Fonte PB
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