MPE e Secretaria de Saúde do Estado apuram denúncias sobre esquema de escalas fictícias no Hospital Infantil Noaldo Leite, em Patos



Em 2016, foi registrado um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil diante de um depósito bancário irregular feito na cidade de Patos. O processo 3548/2016, após instaurado, descobriu, por comprovação da própria Caixa Econômica Federal, que o envelope depositado em caixa eletrônico estava vazio e o cliente beneficiado foi lesado. Mensagens de WhatsApp confirmam que a coordenadora de enfermagem Erica Liane Gomes Sousa agiu de má fé.

O referido depósito deveria ser a quitação de plantão de um enfermeiro que receberia por serviços prestados ao Hospital Infantil Noaldo Leite, em Patos. O enfermeiro não tinha vínculo com o hospital, mas escalas fictícias colocadas para um enfermeiro com matrícula garantiria a transação, porém, o dinheiro não chegou na conta, pois, de acordo com a denúncia, a coordenadora de enfermagem se apropriou dos recursos mesmo diante de cobranças confirmadas por mensagens.

Desde então, de acordo com documentos da denúncia protocolada no Ministério Público Estadual (MPE), sob o número 040.2019.005888, a prática se tornou corriqueira no Hospital Infantil Noaldo Leite. Em planilha enviada para a Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, com o timbre e carimbo do Hospital Infantil, no mês de outubro de 2018, 29 enfermeiros e técnicos de enfermagem estão como se tivessem tirado, cada um, em média, 10 plantões extras apenas no mês. O número é desproporcional, mas mostra que as escalas fictícias podem ter tomado outra dimensão para beneficiar economicamente um grupo ou mesmo algumas poucas pessoas.

Também na denúncia encaminhada ao secretário de Saúde do Estado da Paraíba e ao MPE pode se comprovar depósitos feitos na conta da senhora Érica Liane Gomes de Sousa. O depósito foi efetuado por uma enfermeira agraciada com 10 plantões extras e que fez o depósito de R$ 800,00 diretamente na conta da coordenadora no dia 05 de dezembro de 2018. Outro depósito foi no valor de R$ 990,00 na conta da coordenadora no mesmo dia, porém sem identificação de quem teria depositado.

De forma manuscrita, existem anotações de quem repassa dinheiro para outros. “Maria” repassou R$ 500,00 para “Pedro”; “Inácia” passou R$ 990,00 para “Flávio” e assim seguem as anotações com 28 nomes. De acordo com a denúncia, a lista representa a divisão dos recursos recebidos em plantões e divididos com os beneficiários e a própria coordenadora.

Alguns enfermeiros e técnicos de enfermagem sem vínculos com o Hospital Infantil Noaldo Leite tem se submetido a trabalhar recebendo um salário mínimo. O pagamento se daria através das escalas fictícias extras colocadas nos contracheques de profissionais titulares e repassados posteriormente para aqueles que, de fato, trabalharam sem vínculos com o órgão de saúde do Estado da Paraíba.    

O esquema deve acontecer há alguns anos, porém, só agora, diante de desavenças entre envolvidos e problemas em contas rastreadas pela Receita Federal e órgãos fiscalizadores, o fato feio à tona e foi encaminhado para a reportagem. Desde que se começou a investigar, o assunto é um dos mais comentados nos bastidores da enfermagem e na direção do Hospital Infantil Noaldo Leite.

O Dr. Geraldo Medeiros, secretário de Saúde do Estado da Paraíba, tomou conhecimento da denúncia desde o dia 21 de outubro de 2019. Dr. Geraldo decidiu abrir sindicância para apurar o caso. “A minha postura como secretário de saúde é receber as denúncias e apurar todas. Essa não vai ser diferente! Vamos apurar e identificar a veracidade e tomar as providências cabíveis”, relatou o secretário.

A reportagem também fez contato com a diretora do Hospital Infantil Noaldo Leite, Rhyana karla. Ela foi denunciada como sendo conivente com toda a situação das escalas extras de plantões. Rhyana Karla se mostrou perplexa e disse que não tinha conhecimento do fato, no entanto, preferiu não se posicionar até que tudo seja devidamente apurado.

Também tentamos contato com Érica Liane Gomes, mas as mensagens não foram respondidas e nem se houve retorno dos questionamentos feitos.



Jozivan Antero – Patosonline.com





error0
WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com