Gugu foi espetacular na morte. Por Misael Nóbrega



A doação de órgãos é um assunto controverso, mas Santo. É a permissão espontânea da continuação da vida em outro corpo, esperançoso pelo recomeçar e ansiosamente (im)paciente e infeliz. Religiosamente é tratada como um ato de grandeza, pois não exige recompensa.

Gugu Liberato fez o bem artisticamente? Sim, mas as motivações eram também para impulsionar a audiência dos seus programas televisivos, todos com características sensacionalistas e de espetacularização de conteúdos irrelevantes e particulares, emocionalmente bem narrados, para provocar impacto na opinião pública.

Não tenho argumentos para avaliar se Antônio Augusto de Moraes Liberato, esposo e pai de 3 filhos, foi um ser humano caridoso. A notícia do acidente e posterior confirmação de sua morte, aos sessenta anos, em decorrência de uma queda sofrida em casa, na Florida (EUA), com sepultamento ocorrido na sexta-feira, dia 29 de novembro, aqui no Brasil, foram acompanhados por fake news, homenagens e polêmicas.

A gafe do apresentador, menos famoso, Rodrigo Faro – “Como tá a audiência?”, quando do especial póstumo da Record, diz o que foi Gugu Liberato: personagem que rivalizou com os concorrentes, mas que nunca desistiu de perseguir seus sonhos até conseguir uma carreira de pronto reconhecimento.

Reiteradamente benevolente foi a sua intenção declarada (em vida), protagonizando esse gesto altruísta, de doar os órgãos vitais, como última prova de amor, em retribuição a todo esse sucesso. Porém, a mais qualificada audiência de Gugu Liberato, foi anônima. Ele pode ter sido sensacionalista a vida toda, mas foi mais espetacular na morte. Tem o meu respeito.

*Misael Nóbrega de Sousa