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Famílias queimam mortos em ruas da China em meio à explosão de casos de Covid-19

Crematórios estão saturados e uma cremação na capital chinesa pode ser organizada em três dias a um custo de 68 mil yuans (R$ 53,8 mil), enquanto um serviço no mesmo dia custaria 88 mil (R$ 69,7 mil)

ÓTICAS GUIMARÃES

Hospitais lotados, falta de medicamentos e crematórios saturados e com preços elevados. Essa é uma realidade cada vez mais presente na China devido à explosão de casos de Covid-19. Em meio as dificuldades para enterrar ou cremar os cadáveres, as famílias resolveram queimar os corpos dos entes queridos nas ruas das cidades chinesas, conforme relata o jornal britânico “Daily Mail”. Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver um caixão de madeira em chamas no que parece ser uma área rural.

De acordo com a “Bloomberg”, uma cremação na capital chinesa pode ser organizada em três dias a um custo de 68 mil yuans (R$ 53,8 mil), enquanto um serviço no mesmo dia custaria 88 mil (R$ 69,7 mil). Desde que flexibilizou a política de covid-zero em dezembro, a China viu os casos de Covid-19 aumentarem de uma hora para outra e, diante dos altos números que casos que estavam aparecendo, o governo parou de divulgar informações.

Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu mais transparência para a China no que diz respeito a Covid-19. “Acreditamos que os números atuais publicados pela China sub-representam o impacto real da doença em termos de internações hospitalares, internações em terapia intensiva e, principalmente, em termos de mortes”, declarou Michael Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS. “Continuamos a pedir à China dados mais rápidos, regulares e confiáveis sobre internações e mortes, bem como o sequenciamento mais completo e em tempo real do vírus”, enfatizou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Esses números são úteis para a OMS e para o mundo inteiro, e pedimos a todos os países que os compartilhem. Os dados continuam sendo essenciais para que a OMS possa fazer avaliações regulares, rápidas e robustas dos riscos associados à situação atual e adaptar seus conselhos e orientações de acordo”, explicou. “Com uma circulação tão alta (do vírus) na China e a ausência de dados completos, é compreensível que alguns países tomem medidas restritivas”, continuou Tedros.

Apesar do recrudescimento da epidemia na China, as autoridades encerrarão no domingo as quarentenas obrigatórias na chegada à China e permitirão mais uma vez que os chineses viajem ao exterior. A fronteira entre Hong Kong e a China continental, praticamente fechada há quase três anos, será reaberta aos viajantes. Por precaução, os Estados Unidos e uma dezena de outros países anunciaram que exigirão testes negativos para passageiros vindos da China.

A OMS reiterou seu apoio a esses testes. A partir desta quinta-feira, 5, os Estados Unidos exigem um teste de covid negativo para entrar em seu território, obrigatoriamente realizado 48 horas antes de sair da China. França, Itália, Alemanha e Espanha adotaram medida semelhante. A Tailândia, por sua vez, decidiu não fazê-lo. A União Europeia “encorajou fortemente” esta semana os seus Estados-membros a imporem um teste realizado na China antes do voo, e “instou” os vinte e sete a complementarem o teste negativo com “testes aleatórios” na chegada ao território europeu. Na terça-feira, Pequim condenou a imposição de testes de covid por alguns países, chamando-os de “inaceitáveis” e ameaçando “contramedidas”.

Fonte: Jovem Pan com informações da AFP


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