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Endividamento e inadimplência das famílias brasileiras. Por Roberta Trindade

No endividamento, as dividas existem, mas com um maior controle e planejamento é possível vencer o problema

O Brasil vem registrando índices históricos de endividamento nas famílias, registrado pela Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC. No mês de maio aponta-se o endividamento de 68% e a inadimplência de 24,3%, além dos 10,5% que declararam não ter condições de pagar o que deve e quitar as dívidas.

Algumas causas são constantemente apontadas como geradoras desta realidade. Dentre elas podemos indicar:

É importante considerar que o salário mínimo não atende as necessidades básicas, e, de acordo com o DIEESE para corresponder o sustento da família brasileira (02 adultos/ 02 crianças), o valor ideal deveria ser de R$: 5.351,11 (maio 2021). Isso indica que o esforço é grande para se sustentar com um salário de R$: 1.100,00.

Na sequência, vale fazer referência a ausência da educação financeira, que apresenta – se deficiente no Brasil. As pessoas nem sempre realizam controle financeiro e gastam mais do que ganham.

Outro elemento importante é o cartão de crédito, que pode ser um grande aliado das pessoas, por facilitar o credito imediato e sem burocracia, mas, se não for bem utilizado, promove o descontrole, e consequentemente, a contração de dividas, especialmente se a fatura não for paga, ou ao se pagar apenas o valor mínimo, incidindo juros exorbitantes.

Contribui também como elemento gerador de dividas e inadimplência, os empréstimos consignados, em razão da facilidade (pré – aprovação), e, na maioria das vezes as pessoas fazem com muita frequência e ainda, fazem um para cobrir outro, estimulados pelos “vendedores” agentes bancários. Considero que, dentre outras, essas são as mais importantes.

No endividamento, as dividas existem, mas com um maior controle e planejamento é possível vencer o problema, já no caso dos que se tornam inadimplentes e passam a não ter condição de pagar a dívida, as consequências são mais cruéis, pois a pessoa passa a ter seu nome inscrito no Serasa ou SCPC, restringindo todas as operações de credito. Nos dois casos, geralmente há comprometimento da qualidade de vida e até desestruturação da família.

Antes da contração das dívidas, a recomendação para qualquer pessoa é colocar em pratica a educação financeira, através do controle de gastos e priorização das necessidades para bem empregar o dinheiro, e, no caso de contrair dívidas, a recomendação é anotar tudo que deve, considerando inclusive os juros e buscar renegociar as dívidas, estudando todas as possíveis alternativas para conseguir pagar e se tornar livre das mesmas.

Roberta Trindade

Imagem – Fernando Lana / Serasa

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