Eleições 2012 em Patos – algumas observações (Por Wandecy Medeiros)



Chica Motta com dois “tês” e Zé Mota com um “tê”

 

Eu vi muita gente feliz com a derrota de Zé Mota para vereador, e gente do próprio PMDB.

Até parecia que não bastava Chica Motta ganhar: era preciso Zé Mota perder para a alegria ser total.

Atribuíram a derrota dele ao fato do vereador ter “batido” na administração de Nabor Wanderley, e diziam que “ele teve a resposta que merecia”.

Pouca gente duvidava da vitória de Zé Mota, mas as eleições de Patos sempre reservam essas surpresas.

 

Debates chatos e insossos

 

Todos os debates que eu ouvi foram insossos, sem energia nenhuma.

Silvano Morais era um franco-atirador, disparando críticas para todos os lados, sem uma concisão em relação ao que defendia, mas mesmo assim acabou se saindo bem em alguns momentos.

Francisca Motta muitas vezes era dispersa, passando pelos temas de forma genérica, deixando transparecer que não estava muito por dentro dos assuntos.

Dinaldinho tinha um discurso pré-fabricado, sem nada de improviso, e se ele fosse falar de saúde em dez debates diferentes, acabava repetindo, em todos eles, a mesma ladainha, o mesmo palavreado com as mesmas vírgulas, os mesmos ponto-e-vírgulas e as mesmas reticências.

O discurso ficou meio enlatado e não soava convincente.

Quem assessorou Dinaldinho se esqueceu de trabalhar alguma emoção na sua voz, algum sentimento nas suas palavras. Ele falava sem nenhum envolvimento com o que dizia, como uma máquina, um robô.

 

Lucinha do PCdoB   

 

Sem Lucinha a coligação do PCdoB só teria elegido Cláudia Leitão, do PR. E sem Cláudia Leitão a coligação só teria eleito Lucinha.

E sem ambas as candidatas ninguém teria sido eleito.

Fenômeno de votos, Lucinha acabou demonstrando que mesmo que estivesse na coligação do PMDB, teria logrado êxito.

Eu não sou Genival Júnior, mas apostava que essa coligação faria dois vereadores. E fez.

 

José Gonçalves

 

José Gonçalves, do PCdoB, foi muito bem votado, teve 680 votos, e ficou na primeira suplência da coligação.

Suélio Caetano, também do PCdoB, fez bonito e teve 538 votos.

Com exceção de Lucinha, Cláudia Leitão, José Gonçalves e Suélio Caetano, os demais candidatos da coligação Renovação Popular deixaram muito a desejar, e alguns com votações pífias, de 31 votos, 34 votos, 39 votos, e por aí vai.

 

Torcedores

 

Eu estava nos bairros fazendo visitas e em nenhum momento tive dúvidas da vitória de Francisca Motta. Era perceptível que ela levava uma boa vantagem

Quando eu dizia isso os “Dinaldistas” só faltavam me agredir.

A política provoca cegueira nas pessoas. Elas não analisam. Elas torcem.

E isso acontece até com pessoas inteligentes e com larga experiência na política, como um advogado amigo meu, que ao dialogar comigo não analisava, mas apenas torcia.

Quatro dias antes do pleito esse advogado tentou me convencer de que Dinaldinho ganharia com mais ou menos oito mil votos de diferença.

Como pode a gente morar na mesma cidade e enxergar realidades tão diferentes?

É simples.

Alguns analisam, outros torcem.

E torcida é sempre uma coisa apaixonada, sem racionalidade, e basta lembrar aqueles abestalhados do futebol que trocam socos por seus times.

 

Pesquisa do senhor da Rua da Baixa

 

Aquele senhor da Rua da Baixa realizou uma pesquisa e apontava que Dinaldinho ganharia as eleições.

Os “dinaldistas” elevaram o homem à condição de “vidente”.

Diziam que ele nunca errava.

Mas ele errou.

Nostradamus errou sua profecia.

 

Jozivan Antero

 

Jozivan Antero e José Gonçalves são as provas vivas de que não basta apenas trabalho e militância para se ganhar uma eleição na cidade da galinha Rafinha.

Outros fatores também pesam, e entenda esse “outros fatores” da forma como você quiser. Fique à vontade.

Jozivan Antero, que sempre quis ser um exemplo de pureza política, acabou defendendo Dinaldinho, do DEM, para prefeito.

Eu poderia dizer o seguinte a Jozivan: “o DEM é o antigo PFL, que por sua vez é o antigo PDS, que por sua vez é a antiga ARENA, que por sua vez foi o partido da ditadura militar”.  

No entanto estou apenas fazendo uma firula para enquadrar o nosso Che Guevara em perspectiva, pois eu tenho uma interpretação mais elástica da política e não vejo o DEM de hoje no contexto de ontem, mas para Jozivan Antero, com seus chavões e clichês da esquerda mais desmiolada, o exemplo serve. E serve muito bem.

Se fosse o PCdoB que apoiasse Dinaldinho, em um outro contexto, ele iria dizer que é “um partido vendido”, um partido que “perdeu o foco da luta revolucionária” mas como se trata da pessoa dele, um militante acima do bem e do mal, certamente deve ter tido algum motivo revolucionário por trás.

Aqui, com meus botões: será que Dinaldinho, se ganhasse as eleições, iria implantar o socialismo em Patos?

Jozivan perdeu a virgindade, perdeu a pureza, se é que alguma vez a teve.

Quero que ele continue tentando, pois não tenho dúvidas do valor dele, mas agora ficou fácil, muito fácil, rebatê-lo. 

 

Dinaldinho

Dinaldinho se revelou um moço muito educado, sem ataques gratuitos a ninguém.

 

Sujeira

Nesse momento em que escrevo esse texto as ruas de Patos estão imundas, cheias de papéis e bandeiras.

O que nós fazemos externamente demonstra o que temos internamente. E essa sujeira toda reflete o que essa gente festiva carrega dentro de si.

 

Wandecy Medeiros – [email protected]