ColunistasLuiz Gonzaga Lima de Morais

É muito mais preocupante do que se pensa o resultado da testagem feita em Patos nesta quinta-feira

“A Prefeitura de Patos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou na noite desta quinta-feira (10), mais uma ação de testagem aberta para diagnóstico da Covid-19.

Dos 326 testes realizados, 245 acusaram negativos e 81 positivos. O resultado representa uma média de 25% de testes positivados para a doença.” (Coordecom)

Parabéns a administração municipal pela realização desta ação. Mas perguntamos: por que este tipo de ação não foi realizado com maior frequência? Para se alcançar um número bem maior de pessoas. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a cidade de Patos já recebeu 12.719 testes e só tinha aplicado, até esta quinta-feira, 2.860 destes testes. Diante da realização da ação de que se fala, vamos comparar o resultado dos 326 testes aplicados na ação, que resultou na constatação de 81 pessoas com resultado positivo, ou seja 81 pessoas com COVID 19, com o resultado que teríamos se todos os testes restantes tivessem sido aplicados. 

Dos 12.719 testes recebidos, restavam 12.393. Se estes testes tivessem sido aplicados, ontem, teríamos qualquer coisa em torno de 3.080 outras pessoas infectadas. 

Vale ressaltar que o baixo índice de testagem não é exclusiva de Patos. A cidade paraibana que mais testou foi Bayeux que testou 2,94% da sua população. Patos ficou em segundo lugar testando apenas 2,64 de seus habitantes. Campina Grande é o terceiro lugar com 1,58% e João Pessoa em quarto lugar com 1,43%. Os baixos números dos outros municípios não justificam os baixos números de Patos. Estão todos errados. 

A falta de testagem é péssima pela situação que se cria. Considerando a população de Patos de 108.192 pessoas, com o índice de infestação apurada nesta quinta-feira, 24,85%, teríamos quase 27.000 pessoas infectadas e, até o dia de ontem, eram consideradas com existentes em Patos apenas 13.675 pessoas infectadas. Essas outras 13 mil pessoas possivelmente infectadas estão soltas por aí infectando as demais, sem o saber.  Em outras palavras, os administradores da cidade têm nas mãos uma boa “bomba chiando”. E uma última pergunta. 

Por que as administrações municipais não fazem uma testagem muito maior dos seus munícipes? Aliás, por que não vem sendo feita uma testagem geral em todo o país? Será com medo do que vão descobrir? Ou será, justamente, por que querem esconder a realidade da pandemia negada por muitos?

Uma última observação, com relação à testagem feita agora em Patos. Os números reais podem não ser exatamente os que apresentamos aqui. Consideremos, por exemplo, que quem se deslocou até a praça Getúlio Vargas, na noite da última quinta-feira, tenha comparecido apenas por que desconfiava de algum sintoma que estivesse sentindo, mas de qualquer maneira o número de infectados testados na amostra é significativo e preocupante, como disse o próprio secretário interino de saúde. 

Vamos aguardar mais providências para prevenir que sejam identificados e tratados todos os infectados, para impedir que mais mortes, que podiam ser impedidas, aconteçam.

Luiz Gonzaga Lima de Morais

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