• Dra Milena
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Criptomoeda: Maricoin é criada para empoderar comunidade LGBTQIA+

ÓTICAS GUIMARÃES

A primeira criptomoeda direcionada para a comunidade LGBTQIA+ no mundo está em fase de testes. Batizada de “Maricoin”, ela tem dividido opiniões. Ainda não há data definida para o início das negociações, mas a proposta é que a circulação seja mundial. No Brasil, ainda não se sabe se a Hashdex, gestora especializada em criptoativos, irá comercializar a nova moeda digital.

Na avaliação dos entusiastas, a Maricoin é vista como uma forma de empoderar a comunidade LGBTQIA+ e contribuir para o financiamento de projetos em prol da causa.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o empresário e um dos padrinhos da criptomoeda, Juan Belmonte, informou que o objetivo é fazer com que a comunidade LGBTQIA+, responsável por uma grande movimentação financeira ao redor do mundo, também obtenha lucros. A ideia é aliar esse poder de compra da comunidade à luta contra a homofobia.

O presidente da Borderless Capital, Francisco Alvarez, acrescentou que entre os objetivos da criptomoeda também está o de garantir a oferta de microcrédito para estabelecimentos que assinaram o manifesto de igualdade, documento que apoia a igualdade de direitos para as minorias. A Borderless é uma empresa de capital de risco que tem oferecido suporte à implantação da Maricoin.

No entanto, a moeda digital não tem agradado a todos. O nome usado para o ativo tem sido criticado por ser originado da junção dos termos “maricon”, que em espanhol é uma ofensa homofóbica, e “coin”, que significa moeda. Há, ainda, quem duvide das boas intenções do ativo e levante a suspeita sobre a possibilidade de golpe contra a comunidade LGBTQIA+.

Andamento do projeto

A Maricoin foi lançada no final de 2021, na Espanha. Os testes estão sendo realizados com empresas do bairro Chueca, considerado um reduto da comunidade LGBTQIA+ localizado na cidade de Madrid, capital do país. Em fevereiro de 2022, tempos após sua criação, a moeda  ainda não apresentava valores expressivos. Em março, o crescimento dos números se manteve consideravelmente baixo. 

No momento, ela é usada apenas para o pagamento de produtos e serviços direcionados ao público-alvo. Mas, com o avançar dos testes e a consolidação do projeto, a expectativa é que a Maricoin possa financiar a criação de estabelecimentos comerciais, a oferta de serviços e a realização de eventos no mundo inteiro.

Potência econômica

A movimentação econômica realizada pela comunidade LGBTQIA+ tem grande importância no mundo. O “pink money”, expressão que em português significa dinheiro rosa, é a denominação dada para o poder de consumo dessa parcela da população.

Esse consumo movimenta e fortalece diferentes setores, como comércio, serviços e turismo. Durante os eventos direcionados para o público LGBTQIA+ há o aumento da lucratividade de hotéis, restaurantes, lojas, bares e outras atividades.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de São Paulo, só no ano de 2019, a Parada Gay movimentou R$ 403 milhões na economia da capital paulista, conforme levantamento realizado pelo Observatório da Secretaria de Turismo. O gasto médio do turista que viajou até São Paulo para participar do evento foi de R$ 1.634.

No Brasil, além de São Paulo, outras cidades que promovem a diversidade tornaram-se destinos turísticos e passaram a incrementar a economia com o pink money. De acordo com lista divulgada pela plataforma Trivago, na lista estão Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Juiz de Fora (MG), Florianópolis, Salvador, Brasília e Fernando de Noronha.

Já em termos mundiais, uma pesquisa do banco Credit Suisse chegou a conclusão de que, caso fosse um país, o poder aquisitivo do dinheiro rosa equivaleria à quarta maior potência econômica do globo. Para ilustrar essa suposição, vale ter em mente que, o pink money poderia ultrapassar a Alemanha em termos de poder de compra. 

Um levantamento promovido pela Kantar Consulting, junto à rede social Hornet, destinada ao público LGBT+, indicou que esse mercado chega a movimentar cerca de US$ 1 trilhão nos Estados Unidos. 

Risco de pump and dump

Alguns canais especializados no assunto consideram a Maricoin como um token propício ao golpe “pump and dump”. Isso porque algumas pessoas viram nas criptomoedas alternativas aos principais nomes do mercado uma oportunidade de recriar, de maneira artificial, valorizações rápidas, mesmo que em menor escala. 

Esses novos criptoativos, geralmente, são criados com base no discurso em prol das causas sociais ou na promessa de enriquecimento repentino. Por meio de divulgações estratégicas nas redes sociais e em outros canais, os investidores impulsionam o preço inicial da moeda. 

Assim, seus criadores podem vendê-la em massa, já que possuem a maioria das unidades do ativo. A partir daí, os preços caem consideravelmente, e os indivíduos que compraram as moedas no afã de alcançar lucro rapidamente saem prejudicados. 

Uma das razões alegadas para que a Maricoin seja considerada uma possível criptomoeda de pump and dump é o fato de ela não ser minerada como o Bitcoin ou o Ether, mas sim operar como uma ação de mercado financeiro. Ou seja, ela é um token 100% centralizado em que, quanto mais ativos o indivíduo possui, maior é a sua parcela do negócio.

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