Complexo Hospitalar de Patos realizou 67 cirurgias bucomaxilofacial no primeiro semestre de 2020 e é referência nesta área no sertão



Com uma equipe de oito profissionais efetivos concursados que trabalham em regime de escala diária, tendo sempre à disposição dois profissionais a cada plantão para atendimentos das cirurgias bucomaxilofacial de urgência e emergência, o Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro, de Patos, é referência no sertão paraibano nesta especialidade, que é a terceira mais solicitada da unidade, ficando atrás apenas das cirurgias ortopédicas e gerais, respectivamente. Além de Patos, esse tipo de procedimento cirúrgico só é realizado em Campina Grande e João Pessoa. Relatório da unidade aponta que de janeiro a junho deste ano foram realizadas 67 procedimentos nesta especialidade, com uma média de 11 cirurgias/mês. Nesta quinta-feira (09), a unidade zerou as cirurgias bucomaxilofaciais.

            O coordenador do setor de bucomaxilo do Complexo, o cirurgião-dentista Luciano Pires de Figueiredo, que atua na unidade desde 2010, explica que os casos mais constantes em Patos são os traumas, advindos de acidentes com motos, automóveis, agressão física e quedas, sendo os casos mais complexos os traumas da região frontal com afundamento e as fraturas cominutivas do terço-médio da face. Única referência no sertão da Paraíba, o Complexo tem capacidade para realizar cirurgias BMF de qualquer porte, porém, precisa de mais salas de cirurgia totalmente equipadas e caixas cirúrgicas para que a equipe possa realizar ainda mais procedimentos diários. “Há um projeto de ampliação de salas de bloco cirúrgicos e de UTI em curso que, em breve, vai ampliar nossa capacidade de atendimento”, reforça a diretora geral do Complexo, Liliane Sena.

            Segundo Dr. Luciano, as cirurgias realizadas no Complexo duram, em média, cerca de duas horas, mas, há procedimentos que chegam a duplicar esse tempo devido à gravidade das lesões e a complexidade dos procedimentos para restauração da parte afetada pelo trauma. “No Complexo, há admissão quase diária de pacientes, chegando a fazer mais de uma internação por plantão e os casos são os mais diversos possíveis”, afirma o coordenador do setor de BMF.

            Ainda segundo Dr. Luciano, em casos de lesões que afetem a face, o aconselhável é manipular o mínimo possível a ferida, devendo apenas colocar uma compressa em casos de hemorragia e se dirigir o mais rápido possível para um serviço de saúde. “Alguns casos podem evoluir para óbito, caso não sejam atendidos imediatamente”, afirma ele.

Sobre cirurgia buco-maxilo-facial

            A cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial é uma especialidade da odontologia que trata as doenças da cavidade oral e seus anexos, tais como: traumatismos e deformidades faciais (congênitos ou adquiridos), traumas e deformidades dos maxilares. Dentre as doenças, existem os tumores, os cistos nos maxilares, as manifestações associadas a doenças sistêmicas como AIDS, tuberculose e sífilis, entre outras. As deformidades faciais são compreendidas desde as sequelas de doenças, como o câncer (os traumas severos), até distúrbios de desenvolvimento (como as síndromes) ou alterações do desenvolvimento, como o prognatismo (aumento dos maxilares) e micrognatismo (diminuição dos maxilares), ou a combinação delas. A cirurgia buco-maxilo-facial é de âmbito ambulatorial ou hospitalar. Nos ambulatórios ou consultórios são exercidas cirurgias menores, na sua grande maioria sob anestesia local, onde são, por exemplo, removidos dentes inclusos, pequenos tumores benignos, cistos, lesões periapicais, implantes dentários e cirurgias para adaptações protéticas, entre outras. As cirurgias de grande porte são realizadas sob anestesia geral em ambiente hospitalar como as que acontecem no Complexo de Patos.