Comandante afasta PMs acusados de torturar mulher em Cajazeiras



A jovem Cícera Dayane Batista da Silva, 22 anos, denunciou na última segunda-feira que viveu momentos de medo e horror, no interior do Centro Social Urbano (CSU) de Cajazeiras, no Sertão paraibano. Segundo a jovem, após ser acusada de furto, ela teria sido torturada por dois policiais militares para que confessasse o crime e ainda sofreu ameaças.
O caso teria ocorrido na noite da última quinta-feira, mas só foi tornado público no início desta semana. Ao ser comunicado pelos pais e pela jovem, o Comando do 6° Batalhão de Polícia Militar (BPM) instaurou uma sindicância para apurar o fato e afastou os acusados das funções. Os policiais acusados foram identificados pela jovem como sendo o sargento Anacleto Vieira e o aspirante Carlos Eduardo, ambos lotados no 6° BPM.
De acordo com Dayane, as torturas teriam começado depois que um dos alunos do Curso de Formação da Polícia Militar, cujas aulas estão sendo realizadas no CSU, teria percebido que teve o celular furtado e apontou a jovem como suspeita. Conforme o relato dela, durante a abordagem os policiais a teriam jogado contra a parede e puxado seus cabelos, além de terem asfixiado com sacos plásticos na cabeça para forçá-la a confessar o furto.
Ela disse que entrou no local à procura de uma carteira de identidade, já que no Centro são expedidos documentos. Conforme a jovem, devido às agressões ela chegou a desmaiar e foi acordada com água fria no rosto. Depois de ser revistada, a jovem teria sido liberada e ameaçada. “Eles ficaram me interrogando e perguntando a quem eu tinha vendido o celular, quando viram que não encontraram o aparelho comigo”, contou.
A versão apresentada pela polícia, no entanto, é diferente da relatada por Dayane. Segundo o comandante do 6° BPM, coronel Vilson Dutra, os dois policiais militares disseram que não houve nenhum tipo de tortura. “Um deles havia deixado o celular em uma sala do CSU, e quando retornou percebeu que ele não estava no local.
 
Aí uma pessoa informou que a última pessoa a sair da sala tinha sido a jovem, que por sinal ainda nem identificamos o que ela estava fazendo no local. Sendo assim, uma das alunas do Curso de Formação fez a revista na bolsa dela, e depois ela foi liberada”, argumentou Dutra.
Ainda de acordo com o comandante, após ter sido informado, o Comando instaurou uma sindicância para investigar a veracidade da denúncia e um oficial já foi designado para apurar o caso. Enquanto estiverem ocorrendo as investigações, o sargento e o aspirante estarão afastados de suas funções, trabalhando apenas internamente no Batalhão.
 
Depois que o processo de apuração dos fatos for encerrado, caso seja comprovada a denúncia, os dois policiais poderão responder judicialmente e administrativamente pelo fato.
O comandante da Polícia Militar na Paraíba, coronel Jácome Carvalho, informou que todas as medidas necessárias para apurar o caso já foram adotadas. “E não poderia ser diferente de nossa parte. Determinamos, assim que fomos informados, a abertura da sindicância”, assinalou.
No CSU também funciona uma creche e com o início do Curso de Formação de Policiais Militares, algumas salas do local foram disponibilizadas para a formação dos 120 novos soldados, que estão sendo treinados em Cajazeiras. A jovem passou por um exame de corpo de delito no Hospital Regional de Cajazeiras.
 
JPB