Com a morte de Dinaldo Wanderley, Patos perdeu uma das suas maiores lideranças políticas. Por LGLM



A cidade de Patos perdeu no domingo, 24/05, uma das maiores lideranças políticas de sua história nos últimos trinta anos, Dinaldo Medeiros Wanderley ex-deputado estadual e ex-prefeito de Patos, por dois mandatos.

A sua liderança foi construída por onde passou ao longo dos quase setenta anos de vida.

Do moleque traquinas da adolescência, se transformou num jogador de futebol dos mais habilidosos. Um craque no futebol de salão, foi convidado por Virgílio Trindade para treinar no futebol de campo e encantou a todos,já no primeiro treino. Virgílio o lançou no futebol de campo e ele brilhou com a camisa nacionalina. Encantou a torcida do Nacional e amantes do futebol em geral até que uma falta praticada por um zagueiro santista o tirou dos estádios. Recuperado da lesão, ainda correu pelos gramados de Nacional e Esporte, mas terminou desistindo, inclusive pela necessidade de se dedicar aos estudos.

Na época já estava casado com dona Edina Guedes Wanderley e cursando Economia na Fundação Francisco Mascarenhas onde se formou em 1975. Em 1980, concluiu Direito na UFPB, campus de Sousa. Em 1982 foi nomeado titular do Cartório do 2º Ofício de Serviço Notarial e Registral de Patos, o tradicional cartório de seu pai Dinamérico Wanderley.

Na sua vivência no futebol, aproximou-se da categoria profissional dos sapateiros e começou a investir no comércio de calçados, onde financiava os pequenos produtores (os gangorreios) e adquiria a sua produção, para venda no atacado. Isto lhe granjeou a simpatia da categoria que passou a ser depois uma das suas bases políticas.

No final da década de noventa, Dinaldo atuou também na construção civil, construindo várias obras públicas em Patos e região, onde milita outra categoria que o passou a ver com simpatia.

Em 1992, último ano de mandato de prefeito de Dra. Geralda Medeiros, casada com seu tio Rivaldo Medeiros, Dinaldo foi lançado pelo tio, ex-prefeito de Patos

(de 1983 A 1989), como candidato a sua sucessão. Nesta eleição Dinaldo não obteve sucesso.

Em 1996 ele tentou novamente se eleger prefeito de Patos, conseguindo sucesso e se reelegendo em 2000, sendo o primeiro prefeito reeleito de Patos. Terminado o mandato em 2004, durante o qual elegera (em 1992) sua esposa Edina Guedes Wanderley como deputada estadual, Dinaldo candidatou-se em 2006, também para uma vaga na Assembleia Legislativa, sendo eleito com excelente votação.

Uma tentativa de reeleição em 2010, foi abortada. Conseguiu votação suficiente para a reeleição, mas devido a problemas jurídicos, relacionados à sua gestão no Poder Executivo, foi impedido de assumir o mandato por causa da cassação do seu registro e consequente anulação de votos. Posteriormente foi absolvido da infração que lhe imputavam, mas o mandato já havia sido encerrado. Ainda deputado em 2008, havia tentando voltar à Prefeitura, mas não obtivera sucesso.

Em 2014, o grupo comandado por Dinaldo obteve uma vitória importante com a eleição de Dinaldo Filho, o Dinaldinho, para deputado estadual, seguida da eleição deste para a Prefeitura de Patos, derrotando desta vez a Nabor Wanderley, que havia derrotado Dinaldo em 2008.

A trajetória política do grupo nestes 24 anos é uma demonstração da liderança de Dinaldo na política de Patos, sendo considerado com uma das maiores lideranças políticas desta cidade.

O afastamento de Dinaldinho da Prefeitura em 2018, desgastou um pouco o grupo, mas não tirou o carisma que fez de Dinaldo uma das maiores lideranças políticas de Patos, nos últimos anos. Sua participação na atual campanha política era aguardada com expectativa, uma vez que o seu apoio a um dos candidatos a prefeito podia ser determinante de uma vitória. O seu espólio político e a comoção provocada por sua morte, inclusive, funcionará certamente como de grande importância no próximo pleito.

Dinaldo era um político popular, visitante frequente do mercado público, presença constantes nos jogos de futebol, e que podia ser encontrado todo dia pela manhã e fim da tarde jogando “relancim” com os amigos em pontos fixos nas ruas dos Dezoito e Peregrino de Araújo.

Além disso era frequentador habitual dos velórios e sepultamentos de quantos amigos e conhecidos morressem na cidade. Aí uma ironia do destino. Foi para tantos velórios e enterros e quando morreu não teve direito à presença dos amigos em nenhum dos dois eventos.

Profundamente religioso, era frequentador habitual dos atos religiosos realizados na Catedral de Nossa Senhora da Guia. Na última conversa que tivemos, um pouco antes de sua internação ele nos dizia que estava preparado para tudo, lembrando os ensinamentos que recebia de dona Haidée, sua mãe, também profundamente religiosa.

Nas redes sociais circula uma mensagem transmitida por ele a um amigo nos últimos dias nos seguintes termos: “Estou melhor, estou aqui segurando na mão de Deus, e não vou ter medo um minuto, porque se eu for ter medo eu vou perder minha fé. E minha mãe me ensinou a ter fé, chegou a hora de eu não perder a minha fé. Por isso eu não ter medo um instante e se Deus quiser ou vou ficar bom…” Circulam outras mensagens de teor semelhante revelando conversas que ele teve com amigos nos últimos dias antes de seu internamento ou de sua morte.

No exercício das funções públicas continuou a pessoa simples que sempre foi. Prefeito ou deputado frequentava os lugares de sempre e podia ser abordado no meio da rua por qualquer um: autoridade que o procurasse, cidadão que lhe pedisse uma informação ou providência, “pingunço” que lhe pedisse um real para tomar “a primeira do dia”.

Além das muitas obras e ações que desenvolveu, (muitas e importantes) como prefeito ou através da sua ação como deputado ou através do mandato da esposa, desenvolveu um trabalho social, reconhecido por correligionários ou adversários. Nunca ninguém o procurou na adversidade, para não ser atendido, como prefeito, como deputado ou como cidadão comum.

Duas realizações do seu governo marcaram também a área cultural. Uma foi transformar o tímido São João de Patos, no maior evento junino da região, reconhecido como o Melhor São João do Mundo. Outra foi a promoção dos festivais de violeiros em verdadeiras festas de poesia nordestina, quando alguns dos melhores repentistas nordestinos disputavam troféus em eventos realizados em praça pública, ao invés dos festivas a porta-fechadas que se faziam até

então. Da grandeza dessas festas fomos testemunhas, participando da apresentação de todas elas.

Seus dois mandatos de prefeito em Patos, foram dos mais produtivos. Tiveram problemas como temos em todas as administrações, mas o saldo positivo foi muito grande. E ele confirmou na vida o que era o seu motivo de orgulho: “Se o bem não fiz a todos, o mal não fiz a ninguém”.

Uma confirmação do bem que lhe queria a cidade de Patos foi a corrente de orações que se formou pedindo o seu restabelecimento. E a sede de informações de amigos e correligionários pelo seu estado de saúde.

Tendo sido internado por haver contraído o COVID-19, centenas de pessoas procuraram estações de rádio, ”sites” e rede sociais, diariamente, em busca de notícias sobre seu estado de saúde. Nós que retransmitíamos diariamente boletins médicos para colegas de imprensa e amigos dele, éramos procurados a cada dia por mais gente querendo saber das notícias.

A notícia de sua morte, na manhã deste domingo, pegou a todos de surpresa, pois acreditávamos na sua completa recuperação. Em poucas horas, Patos toda soube da notícia e o clamor popular surgiu de toda parte, deplorando a sua morte.

Dinaldo foi velado, por poucas horas, por um grupo reduzido de familiares como mandava o protocolo das autoridades sanitárias. O corpo foi cremado no meio da tarde do próprio domingo da morte e as cinzas serão levadas para Patos.

Segundo familiares, é intenção levar as cinzas de Dinaldo para Patos, depois que terminar a pandemia, para que ele possa receber dos parentes, amigos e admiradores as homenagens que merecia e que a atual conjuntura impediu, lhe fossem prestadas.

A dona Edina, Gustavo, Bruno, Dinaldinho e Ana Carolina, filhos de sangue, aos filhos do coração Batista e Corrinha, aos filhos de uns e de outros, aos genros e noras, aos netos tão queridos por ele, as nossas condolências. Todos perdemos um grande companheiro, pai, avô e amigo, de liderança indiscutível. (LGLM)

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