Calor de Patos é destaque em rede nacional. Veja



Em Patos, no interior da Paraíba, o tempo abafado é uma característica do ano todo. É quase como se o verão não tivesse nem começo nem fim.

Em Patos, parece que é verão o ano todo, mas ultimamente tem ficado mais difícil ir para a rua.

“A gente pensa três vezes. Preciso? É necessário? E se tiver prioridade, você sai. É muito quente mesmo”, conta a vendedora Keila Azevêdo.

“A gente não aguenta sair. Muitas pessoas reclamam de dor de cabeça, mal estar, por causa da temperatura que está muito avançada”, completa a também vendedora Neuda Cristina Ferreira.

Está um calorão e não é brincadeira. Nos últimos dois meses, os termômetros dispararam no sertão da Paraíba por causa da ausência de nuvens. O sol incide diretamente na terra e o calor só faz aumentar. E estamos falando do começo do verão em uma região onde o clima já é implacável: o semiárido nordestino.

A cidade de Patos fica num vale sem rios, sem florestas verdes e cercada pela caatinga. A temperatura média nesta época do ano é 39 graus, o que já é muito quente. Agora, a sensação térmica em alguns locais é ainda mais alta, 45 graus. Dá para imaginar? No centro da cidade faz tanto calor, mas tanto calor, que a impressão é que tem um sol para cada pessoa.

E quem sofre ainda mais são os comerciantes. “A partir das 10h30, não temos mais nenhum cliente vindo comprar nada por conta desse calor. Ninguém sai de casa. Eu fecho às 11h, retornando às 15h, um pouco mais, porque ainda tá muito quente”, diz Ionara de Assis.

“Aqui a gente tem que dar os pulos para sobreviver. Calorzão né? Tem horários que a gente já evita sair de casa, das 11h até as 15h, que é um horário mais quente”, fala Milena Leite.

Essa estratégia é comum durante o ano todo. Os cinco aparelhos de ar condicionado que Aílton Morais instalou na clínica não estão vencendo o calor. O dentista comprou mais um para não perder pacientes: “Mesmo assim, no horário de 12h, tem um fluxo menor de pacientes. A gente só vai ter um fluxo maior quando o sol esfria, depois das 16h, 17h”.

Tem semanas que a umidade do ar cai para menos de 20%, quando o ideal é de 60%. As crianças e os idosos são os que mais sofrem com picos de pressão, problemas respiratórios e desidratação.

“Nosso corpo tende a suar mais, a gente perde o sal do nosso corpo: os distúrbios hidro eletrólitos. E na correria do dia a dia, você não consegue beber líquidos adequadamente. Então você entra numa desidratação. Além do mais, a umidade do ar é muito baixa, é clima de deserto”, explica Wostenildo Crispim, médico e diretor do Hospital Regional de Patos.

“Rapaz, é pedir uma ajuda divina. Só do céu mesmo! Pedir a Deus e torcer para que a chuva venha!”, afirma o taxista Roberto Carlos de Almeida.

G1


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