ColunistasRoberta Trindade

A desigualdade social no Brasil é um problema antigo e complexo, especialmente, quando se analisa a disparidade entre ricos e pobres

ÓTICAS GUIMARÃES

A pandemia da covid-19 acentuou essa desigualdade, aqui no Brasil. Este fato foi revelado pela Fundação Getúlio Vargas, através da pesquisa intitulada: bem estar trabalhista, felicidade e pandemia, que analisou alguns pontos importantes de reflexão:

  • Analise da média de satisfação com a vida: o ano de 2020 foi entendido como o pior ano em relação a insatisfação com a vida, tanto em virtude do isolamento social e ausência da vida normal, da solidão, da falta do calor humano; como também, em virtude das dificuldades econômicas que reduziu os rendimentos de pessoas e negócios, impactando negativamente na conjuntura econômica e diretamente no bolso do consumidor. A partir dessa argumentação percebe-se que as perdas materiais reduzem, a felicidade, na opinião dos entrevistados.
  • Analise da concentração da renda, através do índice de Gini, que é um instrumento para medir a concentração, visto que aponta a diferença entre os mais pobres e mais ricos, variando de 0 a 1, e nas análises, quanto mais próximo a 1, mais concentrado é o país. Em 2020 o Brasil apresentou índice de 0,642 e no primeiro trimestre de 2021, está em 0,674, indicando que está ainda mais concentrado, a prova é que 1% mais rico detém 49,6% da riqueza brasileira. Por isso, está na 8ª posição no ranking da pior desigualdade, perdendo apenas para países africanos.
  • Analise da renda média, a partir da observação de que o salário mínimo brasileiro é muito aquém das necessidades básicas da família, que para atender a uma família de 4 pessoas, deveria ser R$: 5.351,00 de acordo com o DIEESE. No primeiro trimestre de 2020, a renda média era de R$: 1.122,00. E no mesmo período de 2021 esse valor é de R$: 995,00, indicando que boa parte da população vive abaixo das condições mínimas de sobrevivência.
    Percebe-se que apesar das medidas da política que estabeleceu o auxílio emergencial, as pessoas ficaram mais pobres, com poder de compra reduzido, e em contrapartida, mesmo em cenário de crise, os mais ricos conseguem enriquecer, aumentando a disparidade entre ricos e pobres, ou seja, a concentração de renda e a desigualdade social.

Mostrar mais
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios