Roberta Trindade

A crise da classe média brasileira. Por Roberta Trindade

ÓTICAS GUIMARÃES

A pandemia da covid-19 trouxe impactos negativos na conjuntura econômica, em virtude da desaceleração das atividades econômicas e redução da renda das famílias, provocada pelo desemprego ou redução dos salários.

É consenso entre as instituições que analisam os indicadores (IBGE/PNAD, Banco mundial, CEPAL, FGU social) que as classes média e baixa renda foram mais impactados nesse contexto.

De acordo com o Banco Mundial (relatório de junho de 2021) a América Latina, e Caribe, foram mais afetados, o que inclui também o Brasil, onde a pandemia promoveu a ampliação da extrema pobreza, bem como, uma queda na renda da classe média.

As diversas pesquisas realizadas, embasadas também pelos dados da PNAD, demonstram que a classe média diminui e chega ao seu menor nível quando comparada a população total, em analise correspondente a 10 anos.

Os dados apontam que a classe média correspondia a 54% da população total em 2011, 51% em 2020 e 47% em 2021, chegando a se igualar em termos percentuais a classe baixa.

A classe média brasileira corresponde ao intervalo de renda per capita entre R$: 667.87 e R$: 3.755,76, o que corresponde a aproximadamente 100 milhões de pessoas.

A crise é severa o que provoca além da redução da renda, um aumento das dívidas, desestabilizando o equilíbrio financeiro das pessoas que compõe a referida classe média.

Percebe-se que, na atual conjuntura, o controle dos gastos é tão importante quanto buscar formas alternativas de renda, e, mesmo assim, continuará sendo um momento desafiador, em virtude da quantidade de pessoas que se encontra na mesma situação de instabilidade financeira.

Uma boa parte dos problemas advém da forma de tratar os recursos das famílias brasileira que não tem uma reserva financeira para superar os desafios em momentos de crise ou instabilidade financeira, bem como, utilizam largamente o cartão de credito, na maioria das vezes por ganhar aquém do que precisam para manutenção da sobrevivência com qualidade de vida básica, como também, pela ausência de educação, planejamento e controle financeiro.

Por Roberta Trindade

Foto – Shopping Cidade Jardim, São Paulo Júlio Vilela/VEJA

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