ColunistasLuiz Gonzaga Lima de Morais

A agência local do Banco do Brasil está comemorando nesta quarta-feira, 28 de julho, os oitenta anos de sua instalação na cidade de Patos.

ÓTICAS GUIMARÃES

Para o patoense de hoje, é apenas mais uma agência bancária, que recebe depósitos, empresta dinheiro e paga salários de empregados e benefícios de aposentados. Para a cidade tem sido, ao longo destes oitenta anos, um dos fatores do nosso grande desenvolvimento.

No longínquo ano de 1941, um acanhado prédio comercial na rua Solon de Lucena, onde foi Zizi o Especialista, vizinho de onde hoje funciona o Banco do Nordeste, recebeu a nossa primeira agência. Para sua gerência veio um rapaz ainda jovem, mas já com experiência bancária, que topou vir para o que era na época um “fim de mundo”. Com ele vieram dois ou três colegas com alguma experiência. O grupo inicial de funcionários foi completado por alguns patoenses com “algum estudo”, indicados pelos políticos locais.

Severino França, ou simplesmente “seu” França, era o gerente. E a primeira preocupação de “seu” França era conhecer a sociedade local onde iria conseguir os seus clientes mais promissores em termos de depositantes e de tomadores de empréstimo que é a função fundamental de qualquer banco. Este contato com a sociedade lhe rendeu bons clientes, mas lhe rendeu também um casamento.

Um rapaz promissor, solteiro, era um candidato excelente para um casamento e “seu” França, quando saiu daqui promovido pelo sucesso como gerente pioneiro da agência de Patos para uma agência em Salvador na Bahia, saiu casado com uma filha do “Major” Sebastião Fernandes, cunhado do deputado Ernani Satyro e pai do hoje conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, Flávio Sátyro Fernandes.

A nova agência do Banco do Brasil atraiu para Patos clientes de todo o Sertão paraibano, já que a única agência do Banco do Brasil existentes era a de Cajazeiras e as agências dos vários bancos de Campina Grande e João Pessoa..
A chegada do Banco do Brasil a Patos, desde o primeiro momento, impulsionou o progresso, não só de Patos como de toda região polarizada por Patos, naquela época já referência, como ainda hoje, para o Sabugi, Serra do Teixeira e Vale do Piancó.

Vale ressaltar que o Banco do Brasil naquela época não era o banco comercial de hoje, mais preocupado com o lucro, do que com o progresso regional, torcendo pelo sucesso dos seus clientes na medida em que representam bons negócios para si.

O Banco do Brasil procurava incentivar o comércio, a indústria e agricultura, sendo o principal instrumento de fomento do Governo Federal. Era o tempo de juros subsidiados e até a custo zero. Meu saudoso amigo Evilásio Ayres, comerciante e agropecuarista, me confidenciou certa vez: “Luiz tudo o que sou e o que tenho, devo ao Banco do Brasil, onde nunca me faltou o crédito e o incentivo para investir e desenvolver minhas atividades”. E eu ouvi isto de muitos outros clientes com quem tenho conversado pelo menos nos últimos cinquenta anos.

Cheguei à agência de Patos em 1970, para trabalhar num prédio onde hoje é o posto Paizão, onde funcionava a agência local. E aqui encontrei o mesmo espírito de incentivo às atividades produtivas com que convivi em minha primeira agência, em Piancó. Onde ouvi do saudoso empresário Pedro Freire a declaração de que Piancó, era uma pequena cidade onde o BB chegou em 1963 e a partir daí chegou aonde chegou,

Na década de setenta recebi juntamente com o colega Damião Lucena, o encargo de fazermos um vídeo sobre alguns empreendimentos financiados pelo Banco do Brasil na região, para uma divulgação que o Banco ia fazer a nível nacional. Alguns casos de atividades financiadas aqui na região, financiadas pelo Banco do Brasil, foram objeto deste vídeo. A Coroa, de Genival, ainda hoje a maior indústria de Patos; as fazendas de Chico Marques em Condado e Malta; a Fazenda Tamanduá de Pierre Landolt, já despontando como o grande empreendimento hoje consolidado; a Fazenda Santo Antônio de Zumba Wanderley, onde um grande açude já introduzia os processos de irrigação que fazem a riqueza de Teixeira hoje; entre outros empreendimentos.

Patos e região devem muito ao Banco do Brasil, nestes oitenta anos de sua presença entre nós. E é justo que se comemore esta efeméride. Pena que não se possa fazer uma festa popular, por conta da pandemia e das medidas sanitárias a que se tem de obedecer. Mas haverá uma comemoração restrita a antigos e atuais colaboradores, autoridades e representantes das classes produtoras, nesta quarta-feira, 28/07, no primeiro andar da agência atual.
Prédio que por sinal está completando por estes dias, os cinquenta anos de inaugurada. E eu tive a honra de participar desta inauguração. Como funcionário e como radialista, transmitindo pela Rádio Espinharas o corte da fita simbólica de inauguração pelo governador João Agripino, o prefeito Olavo Nóbrega e o diretor do Banco do Brasil, Camilo Calazans de Magalhães

Por fim, quero registrar a honra que também tive de trabalhar na agência por cerca de dez anos, de 1970 a 1974, 1981 a 1984 e de 1989 até me aposentar em 1994. Durante este tempo fiz muitos amigos entre os colegas e os clientes, amizades com que conto até hoje entre os remanescentes. Até nossos dias, quando morre um de nós, como aconteceu recentemente com o querido amigo Haroldo Fonseca, através de quem queremos homenagear todos os colegas que já se foram, para nós morre um amigo e um irmão.

Pois, apesar de ter passado por outras atividades, inclusive, como auditor do trabalho, fiscalizei várias vezes na agência, não me considero um ex-funcionário, mas um funcionário aposentado que “ainda veste a camisa” que ‘vestiu” durante vinte e seis anos até a aposentadoria.

Muito obrigado ao atual gerente, Antônio Marcos da Silva Victor, pelo convite para participar da solenidade desta quarta-feira. Em Marcos, quero homenagear todos os grandes gerentes que por aqui passaram, assim como todos os colegas, que durante estes oitenta anos, deram “o seu sangue” pela nossa agência local do Banco do Brasil. Não vou citar ninguém para, por falha da memória, não cometer injustiça.

Um abraço e uma homenagem para os milhares de clientes e as centenas de colegas bancários que fizeram estes oitenta anos de história da agência do Banco do Brasil em Patos.

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