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30 de outubro de 2017, 14:45

Educação na construção de um país


Não existe formula pronta. Acaso criássemos, a partir desse exato instante, um país, teríamos nas mãos primeiramente um baita problema e um hercúleo desafio. Nunca, jamais, em momento algum um manual de como funciona, com as indicações de que tecla apertar para pô-la em funcionamento ou as funções exatas de cada uma das trocentas teclas.

Muito menos teríamos uma receita com as quantias de farinha e a fermento que deveríamos colocar na massa. Teríamos no infante país grandes expectativas, mas jamais os prognósticos reais, claramente explicitados e mastigados, de crescimento e comportamento, nem os humores que contribuiriam para o sucesso do rebento ou não.

Teríamos que buscar, num trabalho árduo e ardoroso, construir. Forjar a partir de nossas experiências e observações manual próprio de direção.

Precisaríamos, desde logo estuda-lo e disseca-lo permanentemente, ter a certeza aleatória e inconstante de sua natureza e, acima de tudo, manter um arquivo mínimo de definições sobre ele. Seu território, suas riquezas e potencialidades, a geografia humana e a alma encantadora (ou não) de sua gente seriam nosso objeto de constante atenção (ou tensão), uma moderada adoração, de compreensão e questionamento.

Sabendo desde logo que estaríamos entranhados nele, sendo porção indissociável de sua carne; logo, sujeitos a parcialidade das visões e de uma redução progressiva da possibilidade da visão em perspectiva.

Nosso país bebê teria, a cada quadra de tempo, de dizer-nos de si. Só assim poderíamos aquilatar que tipo de matéria ele seria composto. Sobretudo saber que estirpe de gente comporia seu povo varonil. A partir dessa espécie de análise permanente é que teríamos uma ideia (mesmo que vaga) da composição e do nível de convivência entre as classes, bem como que aspectos políticos e jurídicos se consolidaria ao longo dos dias.

Compromisso (para além do simples e apenas figurativo patriotismo) com o desenvolvimento da pátria; amor (bem além do ufanismo hipócrita que insiste em nos tomar), honestidade (para além de uma expressão retorica que qualquer rato usaria na lapela), respeito, civilidade, e outras coisas do gênero seriam bases dessa composição.

A educação como podem intuir alguns leigos não se trata do abuso inútil de boas maneiras, etiquetas sociais e regras rígidas de cordialidade. Aqui tratamos educação como sistema articulado de formação cidadã massiva e universal. Como processo contínuo de fomento de conteúdos que redundariam em domínio, por parte dos cidadãos de competências e habilidades para o mercado de trabalho, para vida em si e para formação da consciência critica.   

Só ela facultaria a “criação” de uma massa critica e comprometida com os destinos do país e sobremaneira de sua gente. Só ela poderia provocar o avanço do conhecimento em todas as áreas, das mais praticas e ásperas  às mais subjetivas e etéreas. As engenharias, medicinas, arquiteturas, sociologias e artes, assim como as agriculturas e agradeceriam por isso. E ainda teríamos de quebra cidadãos gentis, cordiais, sem esquecer da civilidade, diferente de servilidade.

Ademais, a ciência e a tecnologia em todos os campos, assim como os ramos de estudo que agregam o que chamamos genericamente de área de humanas seriam o nosso verdadeiro ouro da coroa. Se submeteriam, claro, mas não sucumbiriam aos desejos (muitas vezes escusos) dos podres poderes que emanam das castas superiores, nossas elites; não seriam orientados pelos ditames limitadores das casas palacianas, cenário de tramas e ardis; nem tampouco fugiriam do verdadeiro compromisso de sua existência, o respeito a gente de sua terra, a partir e sobretudo do mais humilde, permitindo-lhes o acesso ao conhecimento

E, além de conhecer da produção e de seus métodos, também poder ceder dos seus membros (os oriundos das classes menos aquinhoadas) para participar da produção do conhecimento que alicerça um verdadeiro país e um sentimento de pátria comum.

Por Edson de França

 

 


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