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09 de setembro de 2017, 11:35

Anular o voto não é a solução


Muitos eleitores brasileiros estão decepcionados com os representantes que têm no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores. E não é para menos. A maioria desses representantes está mais interessada em “se arrumar” do que em defender o interesse da população de modo geral. A cada dia se ouve no noticiário referência a presidentes, ex-presidentes, senadores, deputados, prefeitos e vereadores envolvidos em falcatruas, em negociatas, em recebimentos de propinas. Se não bastasse isso, são capazes de tudo para levarem vantagem. Os deputados federais, por exemplo, votaram em uma reforma trabalhista que vai tirar muitos direitos dos trabalhadores. Estão apoiando uma reforma previdenciária que vai tornar cada vez mais difícil o sonho de uma aposentadoria decente. Negociaram seus votos para “livrar a cara” de um presidente da República que está vendendo o patrimônio da ação e envolvido em mil falcatruas. Tudo causa revolta no eleitor.

Aproveitando esta revolta, dois tipos de gente estão sugerindo que o eleitor anule o seu voto e não vote mais em ninguém. De um lado são os analfabetos políticos que acham que anulando o voto o eleitor está anulando a eleição. Do outro lado estão os defensores dos maus políticos. O resultado em ambos os casos é que, enquanto o eleitor consciente anular o voto, os eleitores politicamente analfabetos vão continuar votando nos piores candidatos. Votar nulo só interessa aos maus políticos, pois estes continuarão a ser eleitos pelos eleitores inconscientes e analfabetos politicamente. E os eleitores conscientes, ao anular o voto, perdem a oportunidade de eleger um político decente. Pois, a maioria dos políticos que aí estão não merece realmente serem eleitos. Mas a gente sempre vai encontrar uns poucos políticos decentes que mereçam ser eleitos. Será que, na Paraíba toda, nós não vamos encontrar cinquenta políticos decentes em quem possamos votar para governador, senador, deputado federal e deputado estadual? Será que seu município não tem dez ou vinte homens decentes que mereçam ser prefeito e vereador? Você tem que começar a pensar seriamente em quem vai votar, daqui a um ano, para governador, para senador, para deputado federal e para deputado estadual. E passadas as eleições de 2018, começar a pensar em que vai votar para prefeito e vereador em 2020.

Não vá na onda de quem aconselha a anular o voto. Isto só interessa aos analfabetos políticos, aos maus políticos que continuarão a ser eleitos pelos analfabetos políticos e aos compinchas que vivem das sobras desses ladrões. Eleitor consciente procura sempre o melhor. E se não acha um político perfeito (o que talvez seja impossível), procura eleger, pelo menos, o mais decente possível. Examine a vida de cada um e certamente encontrará alguns que merecem um voto.

Como resposta a quem lhe aconselhar o voto nulo, responda: Eu não sou analfabeto político. Voto nulo não anula eleição. Voto nulo só interessa aos maus políticos que continuam a comprar votos e a se eleger com os votos dos eleitores politicamente analfabetos.

Analfabeto político não é o que não sabe ler. É o que não dar valor ao seu voto e simplesmente não sabe votar. O dramaturgo, diretor e ativista social  alemão Bertolt Brecht (1898 – 1956) definiu muito bem o que é o analfabeto político.

“Só podemos mudar a realidade quando somos instruídos por ela. Suponho que o pior dos analfabetos seja o analfabeto político.

O analfabeto político não se informa sobre política, não fala sobre política nem participa de eventos políticos. Ele não entende que o custo da vida, o preço do arroz, do peixe e da farinha, do aluguel, dos sapatos e dos remédios, tudo isso depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão estúpido que é com orgulho que declara detestar política, sem sequer imaginar que é da ignorância de pessoas como ele que nascem os criminosos, as crianças abandonadas, as prostitutas e os políticos corruptos, lacaios de empresas multi-nacionais e nacionais”. Pena que ele não conheceu o Brasil, pois saberia que o nosso analfabeto político é tudo isso e muito mais, assim como os nossos políticos são muitas léguas piores do que os políticos alemães.

Quem aconselha o voto nulo, pode até saber ler, ser formado, mestre ou doutor, mas não passa de um analfabeto político.

 

 

 


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