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11 de junho de 2017, 17:43

“O CORAÇÃO HUMANO É UM ABISMO” - Santo Agostinho


É impossível pensar nos destinos políticos e econômicos do Brasil sem ficar atônito. Confesso que sempre foi difícil compreender a gênese política do Brasil porque o nosso País nasceu para ser explorado, aos contrário de outros países que nasceram a partir da consciência de uma construção coletiva de estado e nação; de contribuir, ao invés de retirar. Pensar no Brasil é se reportar à forma como foram administradas suas riquezas humanas, culturais, históricas e econômicas quase sempre com a intenção de uma astúcia de sofreguidão e voracidade. As primeiras definições sobre nossa terra brasileira sob a ótica de Pero Vaz de Caminha: “...mui chã e formosa; (....) em se plantando tudo dá...” se perderam no tempo e no espaço. O projeto de retirar do Brasil até a sua alma, se possível, foi levado às últimas consequências.

Como entender o inconsciente coletivo político do Brasil? O “modus operandi” aplicado à política brasileira é genético? É cultural? É hereditário?  Quando revisito a origem da Política, tenho que ir à Grécia Antiga. A palavra Política vem da língua grega “POLITEIA” que resumia toda a ação em benefício da manutenção do Bem coletivo da Pólis que eram as Cidades-Estado gregas como a segurança nos tempos de guerras e invasões, abastecimento de água, assistência jurídica e, sobretudo, pelo menos no início, a escolha de quem prestaria estes serviços não remunerados que eram os POLÍTICOS (Guardiões da Pólis). Homens que juravam fazer de tudo pelo Bem da Pólis. Antes de serem escolhidos para tais ministérios (serviços), eles se tornavam CANDIDATOS, palavra que deriva do vocábulo grego “candidus”, isto é, aquele que não carrega nenhuma mancha moral ou ética. Vestiam-se de túnica branca para lembrar a pureza de atitudes, saíam pelas ruas apresentando aos cidadãos suas plataformas de atuação por amor à Pólis. Imaginava-se que esses homens tinham uma CÂNDIDA (daí CANDIDATO) sobre a cabeça como sinal de inspiração divina, algo semelhante aos círculos luminosos que vemos ao redor das cabeças dos nossos santos populares. Parece uma retórica romântica, mas era assim mesmo.

O tempo passou. Estudar a história do Brasil a partir de agora significa refazer a dinâmica de leitura e usar outros arquétipos de análise. Afinal de contas, esse som que emana da história atual é um sinal de mudanças e anúncio de um novo conceito de vida pública? Ou é apenas um sufoco de informações que não resultarão em nada e continuaremos os mesmos como nossos pais?

Nossa democracia sofre atentados dramáticos na sua base medular. Um exemplo claro são nossas campanhas eleitorais as quais são classificadas como das mais caras do mundo. Comecemos pelos municípios com pequeno colégio eleitoral. Qual o orçamento de uma campanha eleitoral para se eleger um vereador em um município com três ou quatro mil eleitores? Quanto custa uma eleição presidencial?  Temos eleições caríssimas porque tudo em nossas eleições é comprado, muitas vezes a começar pelo voto e pela consciência do eleitor.

Estão em jogo cifras monetárias altíssimas. O homem comum do povo não tem ideia do que significa milhões de reais desviados dos cofres públicos em benefícios de uns poucos que confundem o público com o privado, o lícito com o ilícito, o bem com o mal. A coisa pública é acessada com muita facilidade levando à tentação a consciência perturbada que não quer perceber que a sua atitude egoísta e criminosa causará uma erosão social com menos hospitais e dignos atendimentos médicos, menos escolas públicas de qualidade, menos estradas, menos tudo.

O coração humano de muitos é capaz de ignorar um dos princípios mais basilares do convívio civilizatório que é a solidariedade. Será que é difícil explicar o porquê de o Estado Brasileiro exigir uma das mais altas cargas tributárias do mundo e, ao mesmo tempo, ter uma das piores prestações de serviços do mundo? Qualquer cidadão sabe que um simples dígito a mais ou a menos na declaração do Imposta de Renda, por exemplo, pode causar um transtorno burocrático na vida pessoal. Por que essas exigências não são extensivas a outros setores da máquina estatal como a administração e aplicação do bem público arrecadado?

Vivamos sonho por sonho, episódio por episódio. Sempre na esperança de um dia contemplarmos um novo sol da justiça sobre a querida Pátria Brasileira.

 

Padre Albertino de Sousa Barreiros


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